Guarujá do Sul vive, nas últimas semanas, uma intensa discussão sobre o remanejamento de alunos entre escolas da cidade e da Linha Pessegueiro. A proposta da Secretaria Municipal de Educação, porém, não surgiu ao acaso: trata-se de uma reorganização que atende exigências legais, amplia o ensino integral e garante melhores condições de aprendizagem para as crianças, preservando o funcionamento de todas as escolas.
O ensino integral, previsto na Política Nacional de Educação Integral e nas diretrizes do Plano Nacional de Educação (PNE), é uma meta que vem sendo cobrada dos municípios de forma crescente. A legislação determina que redes públicas ampliem progressivamente a oferta de educação em tempo integral, especialmente para os anos iniciais do Ensino Fundamental. Isso significa que as escolas precisam oferecer não apenas salas de aula, mas uma série de ambientes estruturados, como sala de soninho, espaços de arte, musicalização e áreas amplas para movimento.
Desde 2024, Guarujá do Sul já iniciou esse processo, ofertando ensino integral na Educação Infantil. Em 2025, as turmas aumentaram e, para 2026, o município dará um novo passo, levando o período integral para o 1º, 2º e 3º ano do Fundamental. Essa expansão, porém, só é possível com a reorganização dos espaços físicos das escolas, já que a estrutura atual não comporta todas as demandas simultaneamente.
Hoje, as turmas do Fundamental estão divididas entre o Núcleo Arco-Íris, na cidade, e a Escola Sementes do Amanhã, na Linha Pessegueiro. Como o ensino integral exige ambientes específicos e mais salas, a Secretaria de Educação em acordo com a Gestão Pública concluíram após muitos estudos que a solução mais segura é separar os segmentos: do 1º ao 5º ano permanecerão na cidade, enquanto do 6º ao 9º ano serão concentrados no Pessegueiro. Essa divisão organiza melhor os espaços e evita superlotação ou improvisações que poderiam prejudicar o aprendizado no futuro.
Outro ponto importante envolve o cumprimento de determinações sobre número de professores contratados temporariamente como ACTs. O Ministério Público, segundo o secretário Jeferson Rosa Soares, tem feito cobranças constantes para que os municípios adequem sua estrutura neste sentido. Turmas com oito ou nove alunos, como ocorre no interior, não são consideradas sustentáveis pelos órgãos da gestão do município, assim como os fiscalizadores, e isso poderia gerar problemas jurídicos caso a situação fosse mantida.
Além disso, a folha de pagamento da educação já ultrapassa o valor recebido pelo município via Fundeb, gerando déficit que precisa ser coberto com recursos próprios ou de outras áreas. A reorganização ajuda a equalizar essa conta sem prejudicar alunos ou professores, preservando direitos e mantendo o quadro de profissionais, algo que o secretário reforça como prioridade absoluta.
Diante desse cenário, o remanejamento passa a ser uma medida preventiva e responsável, garantindo que a educação municipal continue funcionando com qualidade e dentro das normas legais. Para as famílias, a principal mudança será o aumento do transporte para alguns estudantes, especialmente aqueles do 6º ao 9º ano que estudarão no Pessegueiro. No entanto, todo o transporte será ofertado pelo município, com linhas reorganizadas para garantir conforto e segurança, sem custos aos pais.
É natural que mudanças desse porte gerem desconforto inicial, principalmente quando envolvem crianças, rotinas e deslocamentos. Ainda assim, a Secretaria de Educação reforça que a medida foi amplamente estudada e discutida, visando não apenas o presente, mas também o futuro da rede municipal. A ideia é evitar que Guarujá do Sul enfrente, nos próximos anos, dificuldades legais, superlotação em escolas da cidade ou perda de qualidade no ensino integral, ou fechamento de escolas.
Um dos boatos que mais circulou na comunidade dizia que a Escola do Pessegueiro seria fechada. A Prefeitura esclarece categoricamente: nenhuma escola fechará. O que ocorrerá é apenas a separação entre Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano), que ficará na cidade, e o Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano), que será centralizado no Pessegueiro. Todos os professores permanecem com seus direitos preservados, e nenhuma turma será extinta.
Ao contrário das fake news, a Escola do Pessegueiro será fortalecida. Receberá mais alunos, terá melhor aproveitamento do espaço e continuará oferecendo oficinas no contraturno, como esporte, arte, musicalização e informática, atividades que ampliam o desenvolvimento dos estudantes e já fazem parte da rede.
Para tornar a transição mais acolhedora, as turmas estão visitando a Escola do Pessegueiro. A iniciativa permite que as crianças conheçam o espaço, reduzindo a ansiedade e criando assim familiaridade com o novo ambiente escolar. Segundo a Secretaria, o retorno das famílias tem sido positivo quando entendem, na prática, como a escola funciona e o que será oferecido.
No fim, a reorganização proposta não é apenas uma mudança administrativa, mas um investimento direto no futuro da educação municipal. Ela permite expandir o ensino integral, melhorar o uso das estruturas existentes, atender às exigências legais e garantir que cada aluno tenha acesso a um ambiente adequado para aprender e se desenvolver.
Em um momento de grande circulação de informações e opiniões, o secretário Jeferson reforça que o diálogo continuará aberto e que as decisões visam exclusivamente o benefício dos estudantes. O apelo da gestão é que a discussão não seja conduzida por boatos ou por motivações políticas partidárias, mas por aquilo que realmente importa: o bem-estar e a qualidade educacional de nossos estudantes e manter a Educação de Guarujá do Sul fortalecida.