A escritora Juliane Beltrame, de Campo Erê, realizou na noite da última terça-feira, dia 09, o último encontro que simboliza o lançamento do seu novo livro, Helena: Feita de Aço e de Amor. A obra que tem chamado a atenção pela abordagem sensível e realista sobre a maternidade solo no Brasil, foi lançada oficialmente no dia 22 de novembro.
O evento reuniu amigos, leitores, colegas e familiares na sede da ACICE/CDL, em Campo Erê. Durante a noite, Juliane apresentou a obra, comentou o processo de criação e detalhou a história que a inspirou. A autora reforçou a importância do contato direto com o público: “Muitas mulheres vieram contar suas histórias. Foi intenso, foi humano. A literatura cria pontes”, afirmou.
Juliane explica que a ideia do livro surgiu da necessidade de dar voz às 11,6 milhões de mães solo no Brasil, número que revela uma realidade marcada por abandono paterno e falta de políticas públicas: “Oito em cada 10 mães não recebem pensão alimentícia. São mulheres que se desdobram entre educação, saúde, atividades e o trabalho para sustentar seus filhos, sem rede de apoio, a mãe solo fica enfraquecida”, afirma.
A escritora define o tema central da obra como a resiliência feminina frente às adversidades. Para construir essa narrativa, dedicou dois meses à escrita intensa, outros dois à revisão e mais cinco ao processo editorial, sempre acompanhada de pesquisas profundas sobre a realidade social brasileira, com base em dados do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], IPEA [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada] e CNJ [Conselho Nacional de Justiça].
O livro apresenta personagens reais e situações cotidianas, sem espaço para romantizações: “Não é ficção, é espelho social”, resume. O processo de escrita foi intuitivo e profundamente humano, com entrevistas e escuta ativa da mulher que inspirou a protagonista: “A história fluiu através de vozes que precisavam ser ouvidas”, destaca Juliane.
Entre os capítulos, um tem significado especial para Juliane, o momento em que Helena, a protagonista, decide criar as filhas sozinha, deixando para trás a esperança paterna, que nunca se concretizou.
Ela acrescenta e descreve que seu maior desafio durante a escrita foi equilibrar a dor real das estatísticas, com a esperança que permeia a superação: “Não queria romantizar a luta, mas tampouco deixar o leitor desolado”.
Além do impacto social, a obra também se destaca pela forma como transforma uma experiência individual em reflexão coletiva. Crítica e afetuosa ao mesmo tempo, a narrativa revela uma mulher marcada por abandono, pobreza e responsabilidades impostas ainda na infância. Juliane costura esses elementos com dados reais, compondo uma literatura que denuncia desigualdades e, ao mesmo tempo, celebra a força feminina por meio da rede de apoio construída por Helena. Essa combinação entre sensibilidade e dureza faz do livro uma leitura potente, que ilumina a realidade das mães solo e evidencia a resiliência das mulheres que sustentam suas famílias com trabalho, coragem e amor.
Para quem o livro fala
Embora a obra se conecte diretamente com mulheres que vivem a maternidade solo, Juliane afirma que o público masculino também tem buscado a leitura para compreender melhor essa realidade. A autora espera que a obra desperte reflexão e empatia: “Quero que cada pessoa que leia encontre força para suas próprias batalhas, e sensibilidade para apoiar as Helenas que convivem conosco”.
Já projetando o futuro, Juliane anunciou que seu próximo livro será dedicado à história de Ângela, ampliando seu projeto literário que une narrativa e ativismo. “Helena é um convite. Ângela será outro. A literatura tem esse poder de tocar e transformar”, concluiu.