Como era o Natal antigamente

Helena Bussolaro, de 64 anos, relembra um Natal simples e mágico, marcado pela união da família e pela ansiedade pelos pequenos gestos que tornavam a data especial

Ruthe Kezia - Guarujá do Sul
24/12/2025 10h00 - Atualizado há 2 meses

Como era o Natal antigamente
“O verdadeiro sentido do Natal não é presente, é união de família e ter Jesus no coração”, afirma Helena Bussolaro. (Foto: Divulgação)

O Natal de antigamente carregava um encanto especial que ia muito além das luzes e dos presentes vistos hoje. Para muitas famílias, como lembra a moradora de Guarujá do Sul, Helena Bussolaro, de 64 anos, essa data significava união, simplicidade e a expectativa de pequenos gestos que marcavam profundamente a infância. Naquela época, reunir a família não era sobre grandes ceias, mas sobre estar junto e preparar uma refeição diferente para celebrar o nascimento de Jesus.

Helena lembra que o Natal sempre foi uma data de grande importância na sua família. “O Natal sempre foi especial, porque era nessa época que a gente ganhava, às vezes, uma caixa de bombom. Durante o ano era pouco doce, então aquela data é uma data especial”, relembra. A simplicidade dos presentes e da comida tornava o Natal ainda mais significativo, sendo uma oportunidade rara de vivenciar algo diferente do cotidiano.

Crescendo em uma casa com seis irmãos, ela descreve o Natal como uma época de pura magia. “Eu era ansiosa, porque nós éramos em seis, hoje somos em cinco irmãos. Mas o Natal era sempre esperado, sempre com aquele sentimento de que iria acontecer algo mágico. A gente colocava o prato na mesa com o nome e esperava o Papai Noel chegar para deixar os presentes. Era a época mais esperada de todas.” A sensação de que algo extraordinário acontecia naquela noite era o que dava ao Natal o seu encanto especial.

Mesmo sem a tradicional ceia do dia 24, pois era algo que sua família não costumava fazer, o domingo de Natal tinha um sabor único. Em vez de ceiar, a família se reunia para um churrasco, o que se tornava o ponto alto da celebração. Helena explica: “Na minha família, não era comum fazer aquela ceia de Natal no dia 24. O que a gente fazia era reunir todos no domingo, e nesse dia era sempre reservado para fazer um churrasco, algo que já fazia o dia ser diferente. Não havia a grande festa, mas a simples reunião já trazia aquele sentimento de que o Natal estava sendo celebrado.

Com o passar dos anos, Helena percebeu mudanças no modo como o Natal é celebrado. “Hoje, o Natal já não é mais como era. As crianças de hoje em dia já não esperam mais tanto, elas querem brinquedo, luzes, pisca-pisca, mas o verdadeiro sentido de união de família parece estar se perdendo” destaca. O Natal parece ter perdido a conexão profunda entre as pessoas, substituída por uma busca maior por bens materiais e o brilho das luzes.

A facilidade de acesso a produtos também contribuiu para essa transformação. Helena observa: “Hoje é tudo fácil. Se você quer um doce, vai no mercado e compra. Na nossa época, era muito mais difícil, e por isso cada doce, cada presente, era mais valorizado. Isso, eu acho que é uma das grandes diferenças entre os natais de antes e os de hoje: antigamente tudo tinha que ser feito com mais esforço, o que tornava a data ainda mais especial.” O esforço envolvido nas celebrações de Natal, com os poucos presentes e o preparo das comidas, fazia com que a data fosse ainda mais significativa.

Mesmo diante dessas mudanças, Helena ainda guarda muitas memórias afetivas da época em que os natais eram celebrados com mais simplicidade. Ela recorda com carinho: “Eu me lembro da época em que a gente colocava o prato com o nome e passava a noite esperando os presentes. Nem dormíamos, de tanta ansiedade. Esperava-se muito mais do que presentes, esperava-se aquele momento de magia que o Natal trazia. Quando éramos pequenos, não sabíamos o que era o Papai Noel, mas achávamos que ele era realmente algo mágico.” Para ela, essa fé infantil e a ansiedade pelas pequenas surpresas formavam o cerne do espírito natalino.

Hoje, o Natal na casa de Helena é mais tranquilo. Ela celebra com os dois filhos e duas netas, costuma ir à igreja na véspera com a filha e mantém o churrasco tradicional no domingo. Ela reflete: “Eu acredito que o verdadeiro sentido do Natal não é o presente, mas a união de família e ter Jesus no coração. Não é o que você ganha ou o que você tem, é o que você compartilha e o que você sente. Para mim, é isso o que realmente importa no Natal.

Ainda assim, a maior saudade que Helena sente é da união familiar que marcava os natais do passado. Para ela, a correria do dia a dia afastou as famílias dos encontros duradouros e das celebrações mais íntimas. Ela lamenta: “Hoje, a gente vive numa correria tão grande, todo mundo trabalhando, e quando sobra um tempinho, há tantas coisas para fazer em casa que não dá tempo de se reunir como antigamente. O Natal, assim, parece ser só mais um dia para comprar presentes e fazer compras. E isso me entristece um pouco, porque a união das famílias foi se perdendo.

Apesar de tudo, Helena ainda acredita no valor do Natal, e para ela, a mensagem central nunca mudou. Ela finaliza: “O verdadeiro espírito do Natal, para mim, é ter Jesus no coração e espalhar amor e bondade. O Natal deve ser vivido todos os dias, não só no dia 25, mas na maneira como tratamos os outros e cuidamos da nossa família. Isso é o que faz o Natal ser realmente especial.

 

 

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