Santa Catarina será um dos estados beneficiados por uma nova medida do governo federal para socorrer produtores de leite que enfrentam uma das fases mais delicadas dos últimos anos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a compra de leite em pó da agricultura familiar, com investimento total de R$ 106 milhões em nível nacional.
Do total anunciado, aproximadamente R$ 16 milhões serão destinados a Santa Catarina, permitindo a aquisição de 381 mil quilos de leite em pó produzidos por cooperativas e associações da agricultura familiar. A iniciativa busca amenizar os efeitos da queda acentuada nos preços pagos ao produtor, especialmente em um momento de supersafra e excesso de oferta no mercado.
De acordo com a Conab, o preço de referência definido para a compra é de R$ 41,89 por quilo de leite em pó. O valor foi calculado para cobrir os custos de produção e industrialização, oferecendo uma remuneração superior à praticada atualmente no mercado, que segue pressionado pela baixa demanda e pelo aumento das importações.
A medida surge como resposta ao cenário enfrentado pelo setor leiteiro brasileiro, marcado pela combinação de alta produção interna, entrada de leite e derivados importados, principalmente da Argentina e do Uruguai, e retração no consumo. Em Santa Catarina, onde a cadeia do leite tem forte presença da agricultura familiar, a ação representa um alívio importante para os produtores.
Além de Santa Catarina, outros estados também serão contemplados, com destaque para o Rio Grande do Sul, que receberá cerca de 50% dos recursos devido aos impactos recentes de eventos climáticos. Paraná, São Paulo, Alagoas, Sergipe e Goiás completam a lista de beneficiados.
O leite em pó adquirido terá destinação social definida. Parte do produto será doada para creches, hospitais e lares de idosos, enquanto outra parte integrará cestas de alimentos destinadas a famílias em situação de insegurança alimentar ou atingidas por enchentes e secas.
O resultado final da habilitação das cooperativas foi divulgado no dia 30 de dezembro de 2025, e a execução da compra é imediata, com foco em retirar o excedente do mercado já no início de 2026. A iniciativa reforça a parceria do governo com o produtor catarinense e com a cadeia do leite brasileira em um momento crítico para o setor.