Palma Sola passou a adotar uma nova estratégia no combate à dengue, trazendo mudanças importantes na forma como o mosquito Aedes aegypti é monitorado e combatido no município. A iniciativa, conduzida pela Secretaria Municipal de Saúde, busca antecipar riscos e agir antes que a doença se espalhe, tornando o trabalho mais preciso e eficiente.
De acordo com a enfermeira Edite Cirino, a principal mudança foi a substituição do antigo método de monitoramento, conhecido como larvitrampa, por um sistema mais moderno, chamado ovitrampa. “A gente mudou completamente a estratégia de trabalho para conseguir identificar o problema antes que o mosquito se desenvolva”, afirmou.
A larvitrampa, utilizada anteriormente no município, funcionava como um ponto de coleta onde o mosquito já depositava seus ovos e eles chegavam a se transformar em larvas. Essas larvas eram recolhidas pelas agentes de endemias e enviadas para análise em laboratório regional, o que tornava o processo mais demorado e dependente de outros órgãos. Esse método permitia o controle, mas apenas quando o mosquito já estava em fase de desenvolvimento.
Com a adoção da ovitrampa, a lógica do combate mudou. Agora, o foco é identificar a presença do mosquito ainda na fase inicial, antes mesmo do nascimento das larvas. As armadilhas contêm uma substância atrativa que induz a fêmea do Aedes aegypti a depositar seus ovos no local. “A grande diferença é que a gente faz a contagem dos ovos, antes que eles eclodam, evitando que o mosquito chegue a nascer”, explicou Edite.
Outra diferença importante é a ampliação do monitoramento. Se antes o município utilizava cerca de 15 armadilhas, agora serão aproximadamente 50 ovitrampas espalhadas pela cidade. Elas permanecem nos locais por até cinco dias e, depois disso, são recolhidas para análise. O próprio município passou a realizar esse trabalho, com equipamentos e microscópios adquiridos especificamente para esse fim, garantindo mais agilidade nos resultados.
Além disso, Palma Sola passou a trabalhar com a chamada estratificação de risco, que redefine as prioridades das ações de combate à dengue. A cidade foi mapeada e dividida em áreas com maior ou menor risco de infestação. “Agora a gente não trabalha mais todos os bairros da mesma forma. As áreas onde já tivemos mais casos e mais focos recebem um acompanhamento mais intenso e constante”, destacou a enfermeira.
Como reforço às ações preventivas, o município também iniciou a vacinação contra a dengue em 2026. O imunizante está disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que apresenta maior risco de complicações graves. “É uma proteção a mais, indicada pelo Ministério da Saúde, que vem para somar a todas essas mudanças que estamos implantando”, ressaltou Edite Cirino.
Com a nova estratégia, a Secretaria de Saúde aposta na antecipação dos riscos e na atuação direcionada para reduzir a circulação do mosquito e evitar novas epidemias. A orientação é para que a população continue colaborando, eliminando focos de água parada e atendendo às orientações das equipes de saúde, para que o combate à dengue seja ainda mais eficaz no município.