A história de Rosilei Moro é marcada por desafios enfrentados desde os primeiros dias de vida, mas também por uma trajetória construída com persistência, trabalho e superação. Moradora de Palma Sola, ela é exemplo de como limitações físicas não impediram a construção de uma vida ativa, digna e repleta de conquistas.
Rosilei nasceu em São José do Cedro, em 4 de agosto de 1989. Ainda nas primeiras semanas de vida, passou a apresentar sequelas da poliomielite, condição que comprometeu sua mobilidade e exigiu acompanhamento médico constante ao longo da infância.
Nos primeiros anos, quando Palma Sola ainda não contava com atendimento especializado, Rosilei passou a frequentar a APAE de São José do Cedro, onde iniciou o acompanhamento educacional e terapêutico necessário para seu desenvolvimento.
“Eu só tenho dificuldade para andar, mas não tenho problemas mentais”, afirmou Rosilei ao relatar sua trajetória. Segundo ela, a limitação física nunca comprometeu sua capacidade de aprender, trabalhar e tomar decisões, embora ao longo da vida tenha enfrentado situações de preconceito e julgamentos equivocados, especialmente por parte de pessoas que desconheciam sua história.
Aos quatro anos de idade, Rosilei mudou-se com a família para Palma Sola, município onde passou a residir de forma definitiva. Foi ali que cresceu, estudou e construiu vínculos comunitários que marcaram sua história pessoal.
Já em Palma Sola, passou a frequentar a APAE local, dando continuidade ao acompanhamento educacional e terapêutico. Ao longo dos anos, avaliações profissionais confirmaram que ela não possuía deficiência intelectual, apesar dos frequentes julgamentos enfrentados.
Desde cedo, sua rotina foi marcada por consultas médicas, tratamentos e adaptações necessárias para lidar com as limitações físicas. Ainda assim, Rosilei sempre manteve participação ativa na escola e no convívio social.
Ao longo dessa trajetória, o apoio da família foi decisivo. A presença constante da mãe e dos pais garantiu cuidados de saúde, incentivo emocional e valores que fortaleceram sua postura diante das adversidades.
A entrada no mercado de trabalho representou um marco importante em sua vida. Aos 21 anos, Rosilei conquistou uma vaga na Cooper Alfa, iniciando uma trajetória profissional que lhe proporcionou independência e reconhecimento.
Durante cinco anos, trabalhou com carteira assinada, cumprindo suas funções com responsabilidade e dedicação. Ao longo desse período, conquistou respeito no ambiente profissional, construiu autonomia financeira e fortaleceu a própria autoestima, demonstrando na prática sua capacidade de assumir compromissos e responsabilidades como qualquer outro trabalhador.
“Trabalhei cinco anos com carteira assinada e sempre fiz tudo com honestidade”, relatou Rosilei, ao lembrar do período em que esteve ativa profissionalmente. Segundo ela, o trabalho representou mais do que renda, sendo uma experiência de aprendizado, disciplina e valorização pessoal, que contribuiu diretamente para sua independência e para a construção da própria dignidade.
Mesmo inserida no mercado de trabalho, Rosilei enfrentava problemas de saúde que se agravaram com o tempo. As dificuldades de locomoção exigiram acompanhamento médico constante e culminaram em procedimentos cirúrgicos complexos.
Em 2014, passou por cirurgias delicadas nas pernas, necessárias para melhorar sua mobilidade. Um dos procedimentos resultou em complicações que a deixaram internada em estado grave, exigindo longo período de recuperação.
Mesmo diante das dores físicas, das limitações impostas pelas cirurgias e das incertezas sobre o futuro, Rosilei não desistiu: “Eu lutei, batalhei e fui conseguindo, nunca deixei de acreditar”, contou ao recordar o período de cirurgias e reabilitação, marcado por desafios constantes, longos processos de recuperação e pela necessidade de manter a esperança mesmo nos momentos mais difíceis.
Em razão das limitações físicas permanentes e das cirurgias, Rosilei precisou encerrar sua trajetória profissional. A aposentadoria ocorreu ainda jovem, como consequência direta das condições de saúde.
A aposentadoria não representou estagnação, mas uma mudança de etapa. Mesmo fora do mercado formal, ela manteve uma rotina ativa, envolvida com a família e com a comunidade.
Um dos momentos mais marcantes de sua vida aconteceu com a descoberta da gravidez. A gestação exigiu cuidados especiais devido a problemas cardíacos, demandando acompanhamento médico rigoroso.
Apesar dos riscos envolvidos, Rosilei viveu a maternidade com responsabilidade e emoção. A gestação exigiu atenção constante, cuidados médicos e adaptação da rotina, mas foi encarada como mais um desafio a ser superado, enfrentado com coragem, determinação e o mesmo espírito de resiliência que marcou toda a sua trajetória.
“A minha filha é a minha maior riqueza, o meu maior patrimônio”, declarou Rosilei ao falar sobre a maternidade e o novo sentido que a vida passou a ter. Segundo ela, a chegada da filha transformou sua rotina e sua forma de enxergar o futuro, representando força, motivação e a certeza de que todas as lutas enfrentadas ao longo da vida ganharam um significado ainda mais profundo.
Hoje, a trajetória de Rosilei Moro simboliza superação, dignidade e persistência. Sua história demonstra que, mesmo diante de adversidades severas, é possível construir uma vida de conquistas, agora ampliada pelo desafio e pela alegria da maternidade.