A presença de cães soltos nas ruas continua sendo uma preocupação em Palma Sola. Segundo a médica veterinária do município, Thainá Signori Ziani, o problema não é exclusivo da cidade e atinge outros municípios da região.
De acordo com a veterinária, atualmente o Governo do Estado já possui programas voltados à causa animal, como o PET Levado a Sério, mas ainda faltam medidas mais eficazes para reduzir o número de animais abandonados nas ruas: “Talvez falte uma lei a nível Brasil ou de repente, até mesmo a nossa região aqui, fazer alguma coisa mais eficaz”, afirmou.
Thainá destacou que cidades maiores costumam apresentar menos cães abandonados. Ela citou Chapecó-SC como exemplo, afirmando que percebeu uma quantidade muito menor de animais nas ruas em comparação com municípios pequenos da região.
Segundo ela, um dos fatores pode estar relacionado à fiscalização mais intensa nas grandes cidades. Além disso, a veterinária acredita que a questão cultural influencia diretamente no problema: “A nossa região ainda tem essa cultura de: ‘se não consigo cuidar, abandono”, comentou.
A médica veterinária concorda que o cenário ideal envolveria políticas públicas mais rígidas voltadas à responsabilização dos proprietários. Entre as possibilidades debatidas durante a entrevista estão o registro obrigatório dos animais em nome do tutor, identificação por chip e castração antes da comercialização ou adoção.
Segundo ela, a proposta ajudaria tanto no controle populacional quanto na identificação dos responsáveis em casos de abandono, ataques ou outros problemas envolvendo os animais.
Thainá explicou ainda que até o ano de 2002 a eutanásia era utilizada com mais frequência no Brasil, realizada de forma química, como forma de controle populacional de animais de rua. Atualmente, sacrificar animais saudáveis e que não oferecem risco, é considerado crime.
Por isso, a castração é considerada hoje o método mais eficaz para o controle da população canina. Ela ressalta que cada fêmea castrada representa menos filhotes nas ruas futuramente.
A responsabilidade dos municípios brasileiros em relação aos animais de rua, está prevista na Constituição Federal, por meio do artigo 225, além da Lei Federal nº 13.426/2017, que regulamenta programas de controle populacional de cães e gatos através da castração.
Castração em Palma Sola
Dentro desse trabalho, Palma Sola realizará no dia 21 uma ação de castração no município. Conforme Thainá, os cães em situação de rua que conseguirem ser capturados pelas equipes responsáveis serão castrados durante a ação.
Outra mudança anunciada é que o valor da castração passou a ser unificado em R$ 250 por animal. Antes, o preço variava conforme o peso do cão ou gato. Segundo a veterinária, no ano passado o município registrou números expressivos nas campanhas de castração. Foram realizadas duas edições da ação, totalizando cerca de 180 animais castrados.
Apesar das iniciativas, Thainá reforça que o problema não será resolvido apenas com ações do poder público: “Se não houver conscientização da população, sempre alguém vai abandonar um animal”, concluiu.