Emprego não nasce em discurso

Coluna de opinião do jornal impresso

Por Igor Vissotto

Todo período eleitoral, seja em Palma Sola, Flor da Serra do Sul ou qualquer município da região parece seguir um roteiro conhecido. Os palanques ganham vida, os microfones ficam mais altos e uma promessa reaparece com a mesma frequência das bandeiras: “vamos gerar emprego e renda”. A frase é bonita. O problema é que, encerrada a campanha, ela costuma ser arquivada junto com os santinhos.

Enquanto isso, os municípios seguem procurando uma fórmula que, na verdade, já conhecem.

Aqui, no Extremo Oeste catarinense, poucos motores econômicos são tão eficientes quanto a força do campo. Cada novo aviário construído, cada nova pocilga instalada, representa muito mais do que uma propriedade rural ampliando sua produção. Significa caminhões circulando, fábricas vendendo materiais, eletricistas trabalhando, pedreiros empregados, transportadoras em atividade, cooperativas crescendo e famílias permanecendo no interior com dignidade. Isto sem falar na arrecadação para os municípios.

O investimento começa na propriedade rural, mas seus efeitos não ficam na porteira. Eles chegam às ruas da cidade.

O produtor compra na agropecuária, reforma a casa, troca de veículo, investe em equipamentos e movimenta o comércio local. A renda gerada no interior atravessa a cidade inteira, fortalecendo mercados, lojas, restaurantes, oficinas, escritórios e prestadores de serviço. É um ciclo virtuoso que beneficia toda a economia municipal.

Mas esse ciclo precisa continuar.

Se o dinheiro público pode incentivar a produção no campo, ele também deve criar condições para que os empreendedores urbanos cresçam. Quem amplia uma indústria, instala uma nova empresa, abre uma loja ou investe em inovação também gera empregos, arrecadação e desenvolvimento. Incentivar o empresário local não é favorecer um setor específico. É fortalecer a economia do município como um todo.

O poder público não cria riqueza sozinho. Seu papel é preparar o terreno para que ela aconteça. Isso significa infraestrutura, acesso a crédito, desburocratização, qualificação profissional e políticas que estimulem quem deseja investir e produzir.

Infelizmente, essa lógica nem sempre prevalece.

Ainda existe uma política excessivamente preocupada com a próxima eleição e pouco comprometida com o próximo ciclo de desenvolvimento. Promete-se emprego em discursos inflamados, mas são raros os planos consistentes, com metas, continuidade e resultados mensuráveis. O município celebra inaugurações, enquanto muitas vezes deixa escapar oportunidades de construir uma economia mais forte e diversificada.

Desenvolvimento não acontece por decreto, tampouco por slogan de campanha. Ele nasce do trabalho conjunto entre produtores rurais, empresários, trabalhadores e um poder público que compreenda seu verdadeiro papel: criar oportunidades para que as pessoas prosperem por mérito, esforço e iniciativa.

A riqueza de um município não se mede apenas pelo tamanho de seu orçamento. Mede-se pela quantidade de pessoas que conseguem viver do próprio trabalho, abrir um negócio, contratar funcionários e acreditar que vale a pena investir onde escolheram construir sua história.

Emprego não nasce em discurso. Nasce onde existem planejamento, coragem para investir e compromisso de transformar promessas em realidade.

 

 

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