Há instituições que existem apenas no papel. Outras conseguem dar sentido à própria existência. As associações comerciais pertencem à segunda categoria quando compreendem que seu verdadeiro patrimônio não é a quantidade de associados, mas a capacidade de unir pessoas em torno de interesses coletivos.
Foi exatamente isso que a Associação Comercial de Anchieta demonstrou ao promover um encontro regional com o presidente da Celesc, Edson Moritz, na noite de quinta-feira, 2 de julho, na Câmara de Vereadores de Anchieta.
A iniciativa nasceu de uma conversa entre a presidente da Associação Comercial de Anchieta, Franciela Biondo, o médico veterinário Junior Furtado e o deputado estadual Marcos Vieira. Da articulação surgiu a oportunidade de trazer à região a principal autoridade da companhia de energia elétrica do Estado, permitindo que prefeitos, vereadores, empresários, produtores rurais e lideranças apresentassem, frente a frente, as dificuldades enfrentadas diariamente por quem vive, produz e investe no Extremo Oeste catarinense.
Também participaram da reunião o diretor de Engenharia e Obras da Celesc, Claudio Varella, o prefeito anfitrião, Moacir Piovesan, e o presidente da Câmara de Vereadores de Anchieta, Fabio Kols Amaral o prefeito de Palma Sola, Marcio Sansigolo, a prefeita de Guarujá do Sul, Eliane Fanton e a prefeita de Campo Erê, Rozane Moreira, reforçando a importância institucional do encontro.
O papel de uma associação comercial nunca foi apenas organizar eventos, emitir certificados ou representar empresários em solenidades. Sua verdadeira missão é servir de ponte entre quem produz riqueza e quem tem o dever de oferecer as condições necessárias para que essa riqueza continue sendo produzida. É defender interesses legítimos, promover o diálogo e buscar soluções para problemas que afetam toda a coletividade.
As associações comerciais espalhadas pelos municípios do Extremo Oeste exercem justamente essa função. Quando atuam com independência, responsabilidade e visão regional, deixam de representar apenas empresas e passam a representar o desenvolvimento econômico de suas comunidades.
Durante a reunião, empresários e produtores rurais deram voz a uma preocupação antiga: a qualidade do fornecimento de energia elétrica.
Volmir Antonio Meotti, empresário proprietário da Dipães, empresa sediada em Paraíso, foi categórico ao afirmar que não é mais possível continuar investindo, ampliar a produção e gerar novos empregos sem que a Celesc garanta um serviço confiável. A fala traduz uma realidade conhecida por muitos empreendedores da região. Não basta incentivar investimentos se a infraestrutura básica não acompanha o crescimento.
Outro relato marcante veio do pecuarista Zandoná, de Palma Sola. Segundo ele, a instabilidade da rede elétrica o obrigou a investir mais de R$ 2 milhões em alternativas para minimizar os prejuízos. Mesmo assim, mantém geradores a diesel funcionando, consumindo aproximadamente 50 litros de combustível por hora para garantir a estabilidade necessária às suas atividades.
São números que revelam um cenário preocupante. Recursos que poderiam estar sendo direcionados à expansão dos negócios, à contratação de funcionários ou ao aumento da produtividade acabam sendo consumidos para suprir uma deficiência que deveria ser resolvida pela infraestrutura pública.
Em resposta às reivindicações, o diretor de Engenharia e Obras da Celesc, Claudio Varella, anunciou que a companhia possui um projeto para a construção de uma nova rede de transmissão ligando São José do Cedro a Anchieta. O investimento previsto é de aproximadamente R$ 9 milhões e, segundo ele, deverá reduzir significativamente os problemas de oscilações no fornecimento de energia elétrica da região. Segundo Varella estas oscilações são – na sua maioria – ocasionadas pela geração de energia elétrica fotovoltaica.
A notícia representa uma perspectiva positiva. Mais importante que ouvir reclamações é apresentar soluções concretas, com planejamento e investimentos capazes de acompanhar o crescimento econômico do Extremo Oeste.
O encontro realizado em Anchieta deixa uma lição que vai além da pauta da energia elétrica. Quando entidades representativas cumprem seu papel, quando lideranças dialogam e quando autoridades se dispõem a ouvir quem está na ponta, todos saem fortalecidos.
É assim que se constrói desenvolvimento. Não apenas com discursos, mas com pontes entre quem decide e quem produz. E, nesse aspecto, a Associação Comercial de Anchieta mostrou que uma entidade comprometida pode transformar uma simples reunião em um importante passo para o futuro de toda uma região.