Dra. Carolina Vencato encerra ciclo em Palma Sola

Médica que iniciou a carreira no município após se formar pela Universidade Federal de Santa Maria deixa Palma Sola com gratidão, histórias e o reconhecimento de pacientes e colegas

Por Ana Antonelli

A médica Carolina Vencato encerra um ciclo de quase 13 anos, levando consigo a gratidão pelas experiências vividas, pelos pacientes atendidos e pelos vínculos construídos ao longo dessa trajetória. (Foto: Ana Antonelli)

Aos 38 anos, a médica Carolina Bolzam Vencato encerra um dos capítulos mais importantes de sua trajetória profissional. Após quase 13 anos de atuação na saúde de Palma Sola, ela se despede do município nesta semana para iniciar uma nova etapa da vida ao lado do noivo, em Palhoça-SC.

Natural de São José do Cedro, Carolina cresceu em uma cidade pequena, em uma infância marcada por brincadeiras na rua, convivência com a vizinhança e os estudos em escola pública. Desde criança, conta que a Medicina esteve presente entre seus planos. Não consegue apontar um momento específico em que decidiu seguir a profissão: “Desde que eu tento lembrar, eu queria fazer medicina”, relata.

Aos 17 anos, deixou a cidade natal para estudar em Santa Maria, onde permaneceu por quase uma década. Após um período de preparação, foi aprovada no vestibular da Universidade Federal de Santa Maria-RS (UFSM), onde cursou Medicina. A graduação foi marcada por desafios, especialmente nos últimos anos, quando conciliava aulas, internato e plantões.

Mesmo antes de concluir a faculdade, Carolina já buscava uma oportunidade para retornar à região. Ao saber que havia uma vaga em Palma Sola, entrou em contato com a Administração Municipal. Na época, conversou com a então secretária de saúde e posteriormente conheceu o município e o prefeito Domingos Lirio Locatelli, demonstrando interesse em retornar para perto da família.

Formada em dezembro de 2013, Carolina chegou a Palma Sola ainda naquele mês, por volta do dia 20. Pouco depois, participou de um processo seletivo e permaneceu na equipe de saúde desde então. O que inicialmente era uma oportunidade profissional se transformou em quase 13 anos de histórias, vínculos e aprendizado.

 

Os primeiros anos

O início da carreira em Palma Sola foi intenso. Na época, a estrutura da saúde funcionava de maneira diferente da atual, com os médicos que atendiam na unidade de saúde também responsáveis pelos plantões hospitalares. Carolina dividia essa rotina com outros profissionais e chegou a cumprir finais de semana inteiros de plantão.

Além da carga de trabalho, havia limitações na estrutura disponível. Exames laboratoriais, ultrassonografia e outros recursos não estavam disponíveis com a mesma facilidade encontrada atualmente. Em situações de urgência, a avaliação clínica, a observação dos sintomas e o exame físico eram fundamentais para a tomada de decisões.

Para Carolina, apesar das dificuldades, aquele período foi um importante aprendizado. Ela destaca o apoio recebido do médico Juarez de Oliveira Pinto, que foi uma referência durante os primeiros anos de atuação no município: “Tudo que eu precisava de ajuda, que eu precisava tirar alguma dúvida, eu perguntava para ele. Ele foi uma pessoa que foi muito importante na minha caminhada aqui”, recorda.

 

Uma medicina marcada pelo vínculo

Ao longo dos anos, Carolina acompanhou diferentes momentos da vida dos pacientes. Gravidezes, nascimentos, doenças, tratamentos e despedidas fizeram parte da rotina profissional. Em alguns casos, o vínculo se estendeu por famílias inteiras.

Entre as situações que mais a marcaram estão os pacientes que receberam diagnósticos graves, como o câncer, e que posteriormente conseguiram concluir o tratamento e recuperar a saúde. Para ela, acompanhar esse processo e reencontrar essas pessoas bem é uma das partes mais gratificantes da profissão.

Com a despedida, muitos pacientes fizeram questão de procurá-la. Alguns foram até a unidade para conversar, agradecer e dar um último abraço. Para Carolina, esses momentos reforçaram a dimensão dos vínculos construídos durante os anos de atendimento.

A secretária de saúde de Palma Sola e amiga pessoal da médica, Elizandra Da Silva, acompanhou praticamente toda a trajetória profissional de Carolina no município. Para ela, a colega representa uma forma de exercer a Medicina baseada não apenas no conhecimento técnico, mas na escuta e na humanidade: “Como profissional, a Dra. Carol sempre foi sinônimo de excelência, com uma escuta atenta e uma paciência ímpar”, destaca Elizandra.

Segundo a secretária, Carolina sempre teve um olhar diferenciado para os pacientes. “A Dra. Carol nunca enxergou apenas prontuários, ela enxergou pessoas. Cada paciente que passou por sua consulta recebeu não apenas um diagnóstico, mas um olhar acolhedor, um abraço de conforto e o respeito mais sincero”, afirma.

 

Uma nova etapa

A decisão de deixar Palma Sola já fazia parte dos planos de Carolina para o futuro. A mudança, porém, acabou sendo antecipada pelas circunstâncias. Com a venda da residência onde morava de aluguel e o relacionamento que evoluiu para o noivado, ela decidiu dar o próximo passo e construir uma vida ao lado do companheiro.

O noivo já mora em Palhoça-SC há alguns anos, onde mantém uma loja de produtos naturais. Carolina ainda avalia as possibilidades profissionais na nova cidade, mas pretende inicialmente organizar a mudança e, depois, definir os próximos passos. Ela possui especialização em psiquiatria e considera seguir nessa área.

A mudança representa um novo momento pessoal. Carolina, que se define como uma pessoa tranquila, reservada e que gosta de ler e estar em contato com a natureza, deixa para trás uma rotina que marcou grande parte de sua vida adulta: “Eu saio daqui com muita gratidão por todas as pessoas que passaram pela minha vida, por cada paciente, cada colega de trabalho, cada pessoa que eu conheci nesse capítulo muito importante da minha vida”, afirma.

Depois de quase 13 anos, Palma Sola deixa de ser apenas o primeiro município onde Carolina exerceu a Medicina. Torna-se parte de sua própria história profissional e pessoal. E, para os pacientes e colegas e amigos que acompanharam essa caminhada, fica a lembrança de uma médica e amiga que construiu sua trajetória a partir do conhecimento, da dedicação e, sobretudo, do vínculo humano.

 

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