O voto, a liberdade e o país que queremos construir
Coluna de opinião do jornal Sentinela
No próximo domingo, 4 de outubro, milhões de brasileiros irão às urnas. Durante alguns minutos, cada eleitor terá diante de si uma pequena tela, alguns números e uma responsabilidade que, embora pareça individual, produz consequências coletivas.
É curioso como o voto pode parecer pequeno.
Um número digitado na urna. Um dedo confirmando uma escolha. Alguns segundos diante da máquina.
Mas é justamente desse gesto aparentemente simples que nasce uma parte importante do poder exercido pelo Estado. Nas eleições de 2026, o eleitor brasileiro escolherá presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. O primeiro turno acontece em 4 de outubro, das 8h às 17h, no horário de Brasília.
Por isso, votar não deveria ser apenas cumprir uma obrigação. Deveria ser um exercício de consciência.
A democracia não exige que todos pensem da mesma maneira. Pelo contrário. Ela existe justamente porque sociedades são formadas por pessoas que enxergam o mundo de maneiras diferentes.
Há quem entenda que o Estado deve ter uma presença mais ampla na economia e na vida social. Há quem defenda um Estado mais enxuto, com maior espaço para a iniciativa privada e para as escolhas individuais. Há quem coloque a igualdade como valor político central. Outros enfatizam liberdade, responsabilidade individual, propriedade privada, segurança, mérito, disciplina fiscal e respeito às instituições.
Essas diferenças não são um defeito da democracia. São parte dela.
Entre os princípios tradicionalmente associados à direita política está a defesa da liberdade individual. A ideia de que o cidadão deve ter espaço para trabalhar, empreender, possuir, investir, produzir e tomar decisões sobre sua própria vida, dentro dos limites estabelecidos pela lei.
Também está a defesa da responsabilidade fiscal: a compreensão de que dinheiro público não nasce em Brasília, nos governos estaduais ou nas prefeituras. Ele vem do trabalho de milhões de brasileiros, por meio dos impostos. Governar significa, portanto, escolher prioridades e reconhecer que recursos são finitos.
Outro princípio frequentemente associado à direita é a valorização da propriedade privada e da segurança jurídica. Para quem abre uma empresa, compra uma casa, planta uma lavoura ou investe durante décadas, a previsibilidade das regras não é uma abstração. É parte fundamental da decisão de continuar produzindo.
Há ainda a defesa de uma sociedade na qual segurança pública, autoridade das instituições, responsabilidade individual e respeito às leis tenham peso significativo.
E há a valorização da família, das tradições e da liberdade de consciência, elementos que muitos eleitores identificados com a direita consideram importantes para a organização da vida social.
Nada disso transforma automaticamente uma proposta em boa ou ruim. Cada princípio precisa ser confrontado com a realidade, com os resultados das políticas públicas e com aquilo que a Constituição permite e estabelece.
É justamente aí que entra a responsabilidade do eleitor.
Não basta escolher alguém porque fala bem. Não basta votar porque alguém pertence a determinado partido. Não basta compartilhar um vídeo nas redes sociais ou repetir uma frase que circulou em um grupo de WhatsApp.
É preciso perguntar: o que esse candidato defende? O que já fez? Quem o acompanha? Como pretende colocar suas propostas em prática? Quais são os custos? Quais são as consequências? O discurso combina com o histórico?
E, principalmente, é preciso separar convicção de torcida.
Política não deveria funcionar como futebol, em que o sujeito defende o time mesmo quando ele joga mal.
Representantes não são ídolos. São pessoas escolhidas para exercer funções públicas em nome de milhões de cidadãos.
O Tribunal Superior Eleitoral descreve o voto como o mecanismo pelo qual o povo escolhe seus representantes e define os rumos do país. Talvez essa seja uma das melhores maneiras de compreender a dimensão do domingo.
Não estaremos apenas escolhendo pessoas. Estaremos escolhendo, entre diferentes propostas e visões de país, quais ideias queremos que tenham espaço dentro das instituições.
Para quem acredita em mais liberdade econômica, responsabilidade fiscal, propriedade privada, segurança, mérito, família e menor intervenção do Estado, a eleição também é uma oportunidade de colocar essas convicções no debate público.
Para quem pensa diferente, é exatamente a mesma coisa.
E essa talvez seja a beleza, e também o peso, de uma democracia: ninguém recebe o direito de escolher pelo outro.
Cada eleitor entra na cabine sozinho. Sem plateia. Sem torcida. Sem aplausos. Ali, durante alguns segundos, existe apenas o cidadão e a própria consciência. Depois da confirmação, o voto deixa de ser apenas dele e passa a fazer parte da história de todos nós.
É por isso que vale votar. Vale pesquisar. Vale desconfiar de promessas fáceis. Vale conhecer candidatos e partidos. Vale ouvir quem pensa diferente. E vale, sobretudo, lembrar que democracia não termina quando a urna é desligada.
No dia seguinte, os eleitos continuarão governando e legislando. E nós continuaremos sendo cidadãos, trabalhadores, empresários, agricultores, servidores, pais, mães, estudantes, aposentados.
Continuaremos pagando impostos. Produzindo. Criando empregos. Educando nossos filhos. Cuidando de nossas comunidades. E continuaremos tendo o direito, e a responsabilidade, de cobrar aqueles que receberam nosso voto.
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