06/06/2016 às 09h30min - Atualizada em 06/06/2016 às 09h30min

“Foi difícil dizer adeus para o meu amigo de tantos anos”

Parece brincadeira, mas foi desta forma que a sulflorense Rosalina, percebeu o quão viciada estava no cigarro

Nesta terça, dia 31 de maio, foi comemorado o Dia Mundial Sem Tabaco. Em Flor da Serra do Sul, assim como em vários outros municípios do país funciona o Programa de Controle do Tabagismo, do Ministério da Saúde. Em Flor um novo ciclo do programa, neste em que a advogada, Rosalina Sacrini Pimentel, está participando inicia a cada três meses. Esta é a 9ª turma em andamento em Flor da Serra do Sul, e conta com nove participantes.

O trabalho é desenvolvido sob responsabilidade da equipe da Clinica da Mulher, psicóloga, Graciela Picini; enfermeira, Diana Silvestro e farmacêutica, Fernanda Sutili além dos médicos da Unidade de Saúde que prestam atendimento.

Os participantes, no início, se reúnem toda semana, após certo período a cada 15 dias, depois uma vez por mês. Mesmo após os três meses de duração do programa os participantes continuam sendo acompanhados por mais um ano. As chamadas sessões de manutenção, que em Flor tem cerca de 30 participantes, acontecem mensalmente.

Além do acompanhamento da equipe de saúde, os participantes têm remédios gratuitos à disposição, que podem ajudar a deixar o vício no tabaco. Como por exemplo, o adesivo de nicotina e também o “bup” [bupropiona]. Que é um medicamento que atua competindo com a nicotina e auxilia a pessoa a sentir cada vez menos necessidade de fumar.

Todo programa segue um protocolo conforme o Ministério da Saúde. Tanto, que para o uso de qualquer medicamento o participante passa por orientação e consultas com o médico. O objetivo é que as pessoas parem de fumar. Às vezes é difícil parar sozinha, por isso o programa serve para apoiar e dar estrutura aos participantes. Interessados em participar ou apenas para tirar dúvidas, podem ligar no (46) 3565-1186 e adquirir mais informações.

 

Rosalina fumava desde os 13 anos de idade. Ela demorou muitos anos para se identificar como viciada no tabaco. Para ela, que fumava “apenas” uma carteira de cigarros a cada três dias, o costume era algo bobo, que poderia largar quando quisesse...

Comecei a participar do programa em fevereiro desde ano, quando decidi que ia parar de fumar definitivamente. Há 18 anos moro em Flor da Serra do Sul, mas sou natural de Bragança Paulista-SP. Nem sonhava em morar aqui, mas conheci o Sinval [marido] em Curitiba e começamos a namorar. Nos casamos aqui, e é onde moramos.

A história de deixar o cigarro começou quando fui numa médica para emagrecer. Ela falou que eu tenho esse problema da tireóide e somando isso ao tabagismo eu estava querendo um câncer. Eu fiquei pensando nisso, e acabei me aproximando de pessoas que participaram do programa, como o seu Seberino e a Ivanete. Eu, inclusive, fumava muito com eles, mas tinha medo de vir porque as pessoas me amedrontavam. Falavam que iam me mostrar slides terríveis e eu ia acabar com depressão se não conseguisse parar de fumar. Na verdade presenciei bem o contrário.  

O programa tem uma dinâmica interessante onde conversamos muito, temos apoio psicológico e muito suporte de todos. Quando cheguei ao programa estava parando de fumar, mas ainda assim fiz uso de alguns medicamentos que me ajudaram. Um não deu certo porque aumentou minha pressão, aí parei.

Agora estou fazendo acompanhamento com a nutricionista aqui mesmo. Eu adoro vir nas reuniões, porque a vida puxa você para o vício, problemas surgem e o cigarro é uma válvula de escape. É um apoio, um amigo. Foi difícil dizer adeus para o meu amigo de tantos anos. No começo eu vinha aqui e chorava, por isso, muitas pessoas quando tentam parar sozinhas entram em depressão, é difícil mesmo. Quando você está sozinho fuma e tem o cigarro e seus pensamentos, ele é um companheiro. Aí ele morre e não está mais ali, é uma falta psicológica.

Agora eu tomo muita água, faço exercícios, estou animada com minhas aulas de zumba, masco bastantes chicletes. Percebo que estou vencendo, estou mais forte e não sinto aquela ansiedade de fumar. Ter suporte é muito importante. No começo foi muito difícil. Lembro que num dia, bem no início do tratamento, aconteceram alguns problemas, eu estava maluca para fumar. Então encontrei um apoio no seu Seberino que me disse: “Se você fumar vai resolver teu problema?”, claro que não ia. Sabia que se fumasse ia me sentir culpada. Se fumar resolvesse né?  

As pessoas precisam realmente saber sobre este programa e não ter medo de participar. Toda tentativa é válida, até espiritualmente me sinto melhor. Meu corpo ficou mais sútil depois que abandonei o vício. Me sinto melhor em relação aos meu dentes. Minha gengiva estava ficando preta, e hoje já não mais. Estou até mais cheirosa, porque agora o perfume fica e não mistura com o cigarro. Meus filhos e marido sentiram bastante quando eu parei.

Penso que se uma pessoa quer parar tem que procurar um grupo como este. E não pensar que vai recair. Se precisar eu contínuo participando por muitos anos, porque ajuda e está me fazendo muito bem.

 

DIA MUNDIAL SEM TABACO - O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Este dia foi criado em 1987 pela OMS com o propósito de chamar a atenção da sociedade sobre os perigos do cigarro. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a epidemia global do tabaco mata quase seis milhões de pessoas por ano, das quais mais de 600 mil são não fumantes, vítimas do fumo passivo.

Sem mudanças no cenário, estão previstas mais de oito milhões de mortes por ano a partir de 2030. Mais de 80% dessas mortes evitáveis atingirão pessoas que vivem em países de baixa e média renda. Fumar é um fator de risco importante para o desenvolvimento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) como câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares. Fonte/Inca. 


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