12/05/2020 às 09h06min - Atualizada em 12/05/2020 às 09h06min

Hospital de Campo Erê se adequa para atender casos de Covid-19

O hospital adquiriu um equipamento indicado para o tratamento de insuficiência respiratória aguda, ao custo de aproximadamente R$ 20 mil

O hospital Santo Antônio de Campo Erê, montou de acordo com os novos protocolos de atendimento a pandemia causada pelo coronavírus, novos equipamentos adquiridos com a campanha feita no começo da pandemia. A resposta da população que contribuiu foi rápida, segundo a médica do hospital Dra. Marta Gerber, foi adquirido um equipamento indicado para o tratamento de insuficiência respiratória aguda, ao custo de aproximadamente R$ 20 mil.
“No início da pandemia a equipe do hospital ficou muito preocupada. Contágio elevado e muitas pessoas morrendo. Assim fomos atrás de um respirador para que se possa salvar a maior quantidade possível de vidas. Com essa preocupação, tentamos montar no hospital um sistema, uma logística, para atender esses pacientes da melhor forma. A nossa preocupação era com o nosso respirador que é mais antigo e talvez não fosse o ideal para os tratamentos dos pacientes que precisassem dessa ventilação mecânica”, explica.
Segundo ela, o hospital buscou conseguir um respirador novo, mas como todos estavam em busca do mesmo produto, esses aparelhos que normalmente custavam até R$ 70 mil, foram inflacionados para valores de até R$ 130 mil. “Esse valor estava um pouco acima do que o hospital tinha para gastar naquele momento. E com isso, realizamos uma campanha de arrecadação de fundos, e as pessoas foram muito solidárias. Arrecadamos cerca de R$ 6 mil, que foi usado para a compra do novo equipamento”, continua.
Como o valor adquirido das doações e as mudanças nas condutas a respeito do manejo ao Covid-19, o hospital campoerense optou por comprar um aparelho de suporte respiratório não invasivo, conhecido como Bipap, no custo de R$ 20 mil. O hospital pagou com recursos próprios os R$ 14 mil que faltava. “Esse aparelho é o que agora está sendo preconizado para o uso quando o paciente passa do estado moderado, e precisam de algum auxílio pra respirar, mas ainda possue capacidade de fazer os movimentos respiratórios por si mesmo, mas apresenta dificuldade”, explica Marta.
“O respirador que tínhamos, que a princípio era inadequado, foi constatado que ele supre a necessidade caso o paciente necessite”, conta a médica enfatizando que no momento, na rede pública de Campo Erê, não há kit de testes rápidos o que dificulta a identificação de novos casos e a coleta encaminhada ao laboratório central só é feita em casos já adiantados e demoram mais de 10 dias para o retorno.
Ela agradeceu a contribuição de todos na campanha, pelos que doaram em dinheiro e também pelas empresas que doaram equipamentos e materiais para uso dos funcionários. “Agradeço a todos pelas doações. Viemos recebendo máscaras, uniformes e equipamentos, e só temos a agradecer”, enfatiza Marta.
 

Bipap – (Pressão positiva em vias aéreas a dois níveis)
O aparelho é uma máquina de ventilação não invasiva que oferece dois níveis de pressão: uma sobre a inspiração (IPAP) e outra sobre a expiração (EPAP) – está sempre mais baixa para facilitar ao máximo a expiração, ou seja, o esforço para exalar é menor nos dispositivos biníveis.
“É uma máscara que é coplada na cara do paciente auxiliando na respiração, assim a musculatura do paciente não é muito exigida, e o ajuda a aguentar mais tempo antes de ir para a intubação”, esclarece a médica ressaltando que no início da pandemia se acreditava que quando mais cedo colocar o paciente na ventilação invasiva – tubulação - melhores eram as chances de sobrevivência, mas nos dias atuais, é visto que aumenta a mortalidade de imediato.
Foi criado um protocolo do qual o paciente deva passar primeiro pela ventilação não invasiva, antes de ir realmente para a ventilação invasiva, onde a chance de morte é muito maior. “Tem-se tentado deixar o máximo de tempo possível antes de leva o paciente para a ventilação invasiva. Muitos, com esse suporte que adquirimos, tem conseguido passar pelos dias críticos sem ir para a ventilação mecânica e acabam melhorando a qualidade de respirar; o dano pulmonar vai diminuindo com o passar dos dias e com as medicações, isso tem ajudado muitos, e diminuído a taxa de mortes”, destaca a médica.
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