23/07/2020 às 08h32min - Atualizada em 23/07/2020 às 08h32min

Arquiteta investe R$ 80 mil na construção de uma doceria

A campoerense Samari Moreira comercializa seus doces desde a faculdade, mas foi há três anos, que passou a investir na sua própria doceria, adaptada em um contêiner

Pensar em uma receita ideal, separar os ingredientes que mais combinam, arrumar e organizar a mesa... Cozinhar é um ato de amor, muito maior do que se possa imaginar. E, quando preparado para uma outra pessoa, esse sentimento fica ainda mais intenso e aflorado no sabor dos pratos. O melhor de tudo é que essa sensação afável de atenção e carinho acaba sendo recíproca: tanto para quem serve, como para quem come; a culinária traz um bem-estar único e motivador.
Se para nós, meros mortais, que vamos vez ou outra para cozinha sem tanto conhecimento culinário, cozinhar já é um prazer, imagina para quem se dedica dia e noite a aguçar os paladares das pessoas? De acordo com a doceira Samari Moreira, de 27 anos, o maior benefício de cozinhar é a gratidão [recebida do cliente], principalmente após degustar um bom doce.
 
Início de um sonho 
O amor pela culinária, com destaque a doceria, foi se complementando há anos; iniciou com a preparação dos doces de seus aniversários, e hoje, se expande em um pequeno contêiner rosa – localizado na Rua Sagrado Coração de Jesus, em Campo Erê –, onde com muito amor, comercializa todos os seus docinhos e bolos feitos a mão. “Sou formada em arquitetura há cinco anos. Desde a pós-graduação, estudo sobre sustentabilidade e para a criação do meu espaço, tive a ideia de colocar um contêiner, pois além de diferente, é sustentável. Coloquei meus estudos em prática”, conta.
A inauguração da estrutura ocorreu no ano passado, mas desde a faculdade comercializa suas criações. “Antes de abrir, fazia e comercializa em casa. Nos últimos anos de faculdade comecei a fazer trufas e levar para vender; depois comecei a fazer brigadeiro e beijinho e fui para os caramelizados. Após isso, comecei a fazer cursos e fui me especializando, além do que eu mesmo criava. A paixão pela culinário vem de nova, mas o destaque sempre foram os doces. No começo, não era um sonho abrir um comércio, mas quando a necessidade chegou, vi que era algo viável e que me daria bem”, relata.
 
Contêiner
Há três anos o contêiner foi comprado e a partir daí, começaram as reformas. Começou com a construção do chão e colocação de lajotas, após isso, passou-se as janelas. “Reutilizamos muitas coisas. Quis deixar o lugar aconchegante e não mudar totalmente. Continuou com as paredes próprias do contêiner e a fiação aparecendo. Além disso, pude decorar do meu jeitinho”, destaca Samari ressaltando que todos os doces e bolos são feitos dentro da cozinha aos fundos do contêiner.
A estrutura é coberta por placas solares, onde gera energia para a estrutura e também para o apartamento ao lado. “Iríamos fazer a cobertura de vidro, mas gastaríamos bastante. Meu pai pensou em colocar na casa dele, que é no prédio ao lado, e como a estrutura do contêiner estava sendo feita, foi decidido que seria colocado nele. Foram investidos cerca de R$ 30 mil para a instalação”, esclarece complementando que foram investidos aproximadamente R$ 80 mil no contêiner – ou melhor, na realização de deste sonho repentino.
 
Produções e vendas
São comercializados desde doces pequenos a grandes, caramelizados, bombons, tortas, bolos simples e de festas, além de uma variedade de outras delícias. “Não trabalho com frituras, então os salgados que tenho são para esquentar. Pensei pela parte de que na maioria das vezes que vamos a uma padaria, saímos cheirando fritura e não queria que aqui fosse igual. Queria que as pessoas viessem, comessem um docinho e se sentissem à vontade”, ressalta. A doceira enfatiza que a maior renda no ano é em época de Páscoa, com a criação de ovos recheados. Neste ano, foram produzidos aproximadamente 200.
São servidos cafés e outras bebidas. “Todos os doces são feitos manualmente. Possuo ajuda da minha irmã com o trabalho. No momento, não estou dedicada ao delivery, pois estou sozinha, mas quando a entrega é grande, eu acabo levando. Os preços dos docinhos variam de R$ 0,95 a R$ 3 e dos bolos de R$ 38 a R$ 50 o quilo. Tudo varia conforme o gosto do cliente, e sempre posso fazer coisinhas diferentes e de outros sabores”, enfatiza relatando que pretende adicionar novamente ao seu cardápio taças de sorvete. “Servíamos no começo do verão, mas com a pandemia precisamos deixar de lado. Pretendo colocar mesinhas lá fora e servir novamente. Tenho muitas ideias para quando terminar a pandemia”, finaliza.
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