28/07/2020 às 13h46min - Atualizada em 28/07/2020 às 13h46min

Uma procissão fraca e uma festa que tende a acabar

Em consequência da pandemia a procissão em homenagem ao Dia do Colono e Motorista reuniu não mais que 500 carros, sendo uma das menores nos últimos anos. Segundo o padre Armando, a paróquia está se preparando para encerrar todas as festas

Para centenas de comunidades rurais e católicos do Sul do Brasil, o dia 25 de julho sempre se revestiu com o significado cordial: é o Dia do Colono, estendendo ainda suas reverências ao motorista, além de ser direcionado a São Cristóvão e Santo Isidoro. Em outras palavras, ele remete às origens, aos pioneiros, num momento de celebração e de congraçamento por todos aqueles que, ao longo de décadas, plantaram as bases do desenvolvimento e do progresso regional.
A definição do dia deu-se em 1924, em meio às comemorações do centenário de vinda dos primeiros imigrantes ao Rio Grande do Sul. No dia 5 de setembro de 1968 foi sancionada, pelo então presidente Artur da Costa e Silva, a Lei nº 5.496, que instituiu oficialmente o “Dia do Colono e do Motorista”. Embora não seja considerado um feriado Nacional, muitas cidades o tratam como tal, a exemplo de Palma Sola.
Com o feriado ou não, a data é comemorada com eventos, desfiles e homenagens especiais ao dia daqueles que merecem um reconhecimento especial diário. Este, até então, era o ensejo principal para o dia, até a chegada da pandemia do coronavírus, que além de modificar o andamento das atividades em nível mundial, cancelou todas as festas, inclusive as realizadas em louvor aos dois santos, padroeiros do colono e do motorista. As paróquias contentaram-se com a tradicional carreata.
 
Evento cancelado
Conhecida e apreciada pelos católicos, a tradicional festa em homenagem ao colono e motorista era motivo de alegria e união para o mês de julho. Em Palma Sola a festividade sempre era comemorada no primeiro domingo de agosto. Por conta do isolamento social, neste ano, todas as paróquias, inclusive a Nossa Senhora das Graças de Palma Sola, decidiram cancelar e optar apenas pela procissão de benção dos veículos – algumas até transferiram para o final do ano. Sem a tradicional churrascada, os munícipes participaram apenas da carreata, que no município palmassolense durou cerca de duas horas e reuniu não mais que 500 veículos, passando pelo tradicional ponto da bênção, em frente ao Posto Dois Amigos.
Segundo conta o padre do município, Armando Magalhães, a paróquia dependia apenas da festa para se manter, mas neste ano os processos foram modificados, e hoje, com o processo de conscientização do dízimo, o evento deixou de ser o único meio de faturamento. “Estamos trabalhando neste novo processo, que já está em andamento em toda a diocese. Tínhamos essa dependência, mas hoje a sustentação da paróquia é tirada do dízimo, coisa que anteriormente não acontecia. Esse era um projeto que vinha crescendo aos poucos e assim que cheguei na paróquia, conseguimos fortalecer”, acrescenta.
Armando esclarece que se essa implantação não fosse realizada, a paróquia não teria o seu faturamento anual. “Estaríamos dependentes da festa para dar o giro econômico. Mas graças a Deus o dízimo já está dando essa sustentação precisa para o andamento dos processos. E deixou de ser dependente somente da festa. Fizemos uma reunião com a equipe responsável e achamos por bem, manter apenas a coleta de doações durante a procissão” explica.
 
Possíveis cortes
Conforme o padre Armando, todas as dioceses brasileiras começaram a ter suas festas cortadas e acredita-se que no município acontecerá o mesmo. “Todas as festas com vendas de bebidas serão cortadas. As igrejas são muito criticadas por fazerem esses grandes ‘comércios’ em nome da fé e a orientação de todas é que as igrejas devem se manter com o dízimo. Acredito que estamos caminhando para isso”, enfatiza ressaltando que novos planejamentos serão complementados.
“Esses eventos estão na cultura do povo e teremos que achar uma maneira para manter de pé essa tradição. Pensamos na associação do caminhoneiro e em fazer uma festa em nome dessa associação e não da igreja. Mas como orientação, para a manutenção da paróquia deve ter a participação do dízimo. A igreja também não pode fazer rifa, mas sim uma premiação, como de costume, com prêmios definidos pela equipe. Neste ano, lançamos junto da procissão e faremos o sorteio em novembro, no dia da padroeira Nossa Senhora das Graças”, complementa.
Nos anos anteriores os lucros do evento em homenagem ao colono e motorista chegam a aproximadamente R$ 90 mil, e era onde a instituição recorria quando não tinha a sustentação mensal. “Teremos que suprir esse recurso de outras maneiras, a nossa primeira sugestão é o dízimo e a oferta. Usamos o recurso da festa para pagarmos os gastos da igreja, seja com luz ou outros processos, o salário dos funcionários e os gastos de outros eventos”, finaliza.
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