09/09/2020 às 11h24min - Atualizada em 09/09/2020 às 11h24min

Uma luta pela vida

Em 2009, Ademir de Lara caiu de uma árvore de araucária e 90% do corpo ficou paralisado. Palmassolenses como a idosa Terezinha Marques ajudam como podem

Larissa Dias
Em Palma Sola, assim como em pequenas cidades da região, todos os dias há pacientes que se deslocam a municípios vizinhos em busca de tratamentos para problemas de saúde em hospitais e centros regionalizados. O palmassolense Ademir de Lara, popular Dimi, de 28 anos, é um desses pacientes que está sendo tratado na rede de saúde pública e continua, com o apoio da família, travando uma batalha pela vida dia a dia.
A mãe, Cleusa, que o acompanha ao longo de todo o tratamento, explica que filho tem grande parte do corpo paralisado e contrariedades na bexiga e outras regiões, e é por conta de um acidente ocorrido em 2009, onde escalou uma araucária para retirar pinhão, quando raspou um dos pés na casca da árvore, que estava úmida, caiu de uma altura de 10 metros. No tombo bateu a cabeça noutra árvore, para depois cair no chão. Ademir ficou com 90% do corpo paralisado.
“Logo que os bombeiros chegaram o levaram a Chapecó, onde ficou por um mês e três dias internado. Nisto, fez cirurgia no pescoço, que é uma das partes que ele possui movimento. Por conta da fisioterapia, o corpo está voltando a se movimentar”, conta acrescentando que já foram muitas idas e vindas, batalhas vencidas e outras que continuam travando juntos. Os dois moram em uma pequena casa de madeira, localizada no Bairro Ossani, com poucos móveis, sendo adaptada de forma humilde, para que Ademir possa entrar e sair com a cadeira de rodas.
 
“Quando chove preciso cobrir os móveis e o Ademir”
Em entrevista ao Sentinela, a família relatou inúmeras dificuldades. Mas, a que mudou totalmente a fisionomia da mãe, foi a situação da residência onde moram, que em dias de chuva, não os protegem. Cleusa precisa cobrir tanto o filho quanto os móveis. “O vento parece que vai derrubar a casa. Chove mais dentro do que fora e preciso cobrir os móveis e colocar um plástico por cima do Ademir. A casa é muito velha e tem muitas goteiras”, destaca.
 
Solidariedade  
Desde o início da pandemia, os casos de solidariedade espalhados pelo mundo aumentaram constantemente, como entregas de alimentos, eventos on-line, campanhas e outros. Mas há casos, como a ação da palmassolense Terezinha Marques, em prol da família, que foram apenas complementadas. A campanha, realizada em união com a comunidade, busca recursos para a troca do telhado da casa. Como conta a senhora, já de idade avançada, essa revitalização precisa ser feita. “Como sou do grupo de risco, não posso ficar indo em busca das doações, mas estou organizando tudo para que pelo menos o telhado seja trocado”, frisa.
A revitalização não tem data marcada e nem previsão de gastos. Ainda conforme Terezinha, foram feitas as medidas e mesmo sem o retorno do engenheiro, os primeiros passos estão sendo dados. “O Dimi é meu filho do coração. Quando ele estava bom sempre passava por mim e me ajudava com as sacolas de compra. Via ele sempre trabalhando e ajudando a mãe. Enquanto tem uns que só pensam em se drogar, ele pensava em ajudar em casa”, relembra. “Desde que ele se machucou eu venho ajudar e como não possuem condições para construir uma nova casa, optamos por trocar o telhado. Com o pouquinho que vamos arrecadando, vamos guardando para isso”, enfatiza.
A palmassolense estende o convite a quem quiser fazer doações. Mais informações: (49) 9 9180-3474 – Ademir / (49) 9 9158-1293 – Ana Letícia, neta de Terezinha.
 
Situação financeira
Ademir é cuidado apenas pela mãe, e desde o dia que deixou de andar, ela se dispôs a parar de trabalhar para estar ao lado do filho. “Recebemos apenas o auxílio doença de R$ 1.045. Com ele pagamos a luz, a água, fizemos compras e compramos um dos meus remédios, que custa quase R$ 60. O meu tratamento é quitado pela Unidade de Saúde e ganho alguns remédios, mas o que não vem, precisamos comprar, e assim é com as fraldas, que vem um mês sim e um não”, conta ressaltando que com esse salário conseguem passar o mês, no básico. “Não conseguimos o auxílio emergencial. Precisaríamos bastante, mas não recebemos. Acho que é porque já ganhamos esse salarinho”, reforça.
 
“Promessas”
Cleusa relembra que em 2016, ano da última eleição, candidatos ao executivo visitaram a família, afirmando que se votados, e eleitos, estariam disponibilizando uma nova casa aos dois. “Disseram que depois que a casa estivesse pronta, nós só precisaríamos ir pagando aos poucos. Estávamos ansiosos e felizes com essa ‘campanha’. Já estamos entrando numa nova eleição e nada aconteceu. Se alguém pudesse construir a casa, iríamos pagando aos poucos”, finaliza.
 
Dia a dia
Em meio a tantas adversidades, a relação e a alegria da família ganham destaque. Ademir ressalta que passeia de carro com o irmão e durante a semana, fica em sua cama assistindo séries e filmes na Netflix. “A cama e a cadeira de rodas foram doadas pela Unidade de Saúde do município e são muito confortáveis. Meus dias eu passo com a mãe, vejo um monte de coisa para me entreter e converso com quem se desloca até aqui em casa. Aos poucos estou melhorando, logo estarei de pé, se Deus quiser”, diz o palmassolense.
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