19/04/2021 às 08h54min - Atualizada em 19/04/2021 às 08h54min

O ‘Golpe no OLX’

Foi o nome do B.O. registrado na polícia de Campo Erê nas últimas semanas de março, sobr um estelionato que continua em investigação. Se trata de dois usuários do aplicativo que sofreram um golpe cada vez mais comum

Divulgação
Segundo dados, a ocorrência do estelionato envolveu um cidadão de Campo Erê, (o comprador) e um de Santa Izabel do Oeste (o vendedor do caminhão). E, um terceiro indivíduo desconhecido responsável por clonar o anúncio (estelionatário).
O caso foi registrado na delegacia como sendo 'Golpe no OLX', onde os policiais estão à procura do terceiro indivíduo envolvido na ocorrência, na qual a anúncio do dono do caminhão tenha sido clonado pelo estelionatário, de modo que este recebeu o dinheiro pago pelo comprador.
Através de uma conversa com a advogada Juliane Beltrame, o Sentinela conseguiu mais informações sobre este tipo de estelionato, cada vez mais comum na região.
 
O que caracteriza um estelionato
As vítimas podem ser pessoas de qualquer cidade que estejam anunciando seu veículo on-line, assim como as pessoas que estejam comprando. Os criminosos são cheios de estratégias, eles trocam de nomes, telefones, e endereços. De modo a não ser possível realizar a citação nos processos judiciais. Utilizam documentos falsos e de alcunhas diversas, para ludibriar vítimas por todo o estado.
 
Como ocorre
A pessoa interessada em vender o seu veículo posta o anúncio on-line em sites especializados de revenda de veículos.
O criminoso encontra este anúncio, se apodera das fotos e posta um novo anúncio no site da OLX, com um preço bem mais atrativo e contendo o número de Whatsapp do estelionatário.
Uma pessoa interessada é atraída pelo baixo valor por este anúncio de veículo no site e entra em contato pelo Whatsapp do estelionatário, solicitando maiores informações.
O criminoso é atencioso, tem fala muito bem articulada e logo, sem levantar nenhuma suspeita presta todas as informações solicitadas pelo potencial comprador. Por fim, diz que está vendendo para seu “cunhado”, “primo”, “amigo”, sempre envolvem um parente, em troca de uma comissão pela venda.
O comprador demonstra interesse em conhecer o veículo e o golpista diz que irá agendar a visita do comprador com seu “cunhado”, “primo”, parente que nesse caso é o próprio vendedor. Informa também que o depósito bancário deverá ser feito nas contas bancárias fornecidas pelo golpista.
Para agendar a visita, o golpista estabelece um primeiro contato com o vendedor pelo Whatsapp (nunca presencialmente) e, munido de documentos furtados ou documentos falsos, se apresenta como empresário.
O golpista tem várias versões, na mais frequente o golpista se apresenta ao vendedor como parente e diz ter interesse no veículo. Diz que precisa fazer um acerto com seu parente e que este parente tem interesse em conhecer o veículo pessoalmente e caso goste, ele (golpista) comprará o carro ao parente como forma de pagamento da dívida. O parente é na verdade o comprador, que quer vistoriar o veículo.
Para não ocorrer nenhuma suspeita por parte do comprador de que se trata de um crime, o golpista solicita ao comprador que, no momento da vistoria, não comente nada com o vendedor sobre o valor que ele irá pagar pelo veículo e que também não diga nada sobre o fato de o golpista ser parente do vendedor.
De igual maneira, para não ocorrer nenhuma suspeita por parte do vendedor de que se trata de um crime, o golpista (que se passou por empresário) solicita ao vendedor que não trate de valores do veículo com o parente dele que irá vistoriar o veículo.
Nesse momento do golpe, o comprador está indo vistoriar o veículo achando que o vendedor é cunhado ou primo da pessoa que está lhe vendendo (golpista). Por outro lado, o vendedor está achando que quem está indo vistoriar o veículo é o parente do comprador (golpista).
O golpista imediatamente entra em contato com o vendedor e diz que seu parente gostou do veículo e pede para ele aguardar que ele (golpista) fará o pagamento/depósito para a conta do vendedor, apresentando um recibo falso ao vendedor e imediatamente da sinal positivo para irem ao cartório para fazerem a transferência do veículo.
Neste momento duas coisas podem ocorrer. Ou o vendedor com muita boa-fé já entrega o veículo ao comprador e este vai embora para casa (ficando o vendedor sem o veículo e sem o dinheiro). Ou o vendedor aguarda para ver se o depósito foi compensado e, ao notar que o dinheiro não “caiu” em sua conta, não entrega o veículo ao comprador (e este fica sem o seu dinheiro e sem o veículo).
Assim, o golpe foi aplicado e o estelionatário bloqueia o comprador e o vendedor do seu Whatsapp e desaparece impune e sem nunca ter sido visto pessoalmente. Não se conhecendo endereço, telefones, e muito menos se CPF e RG são verdadeiros.
 
O que fazer após sofrer o golpe?
   Uma das alternativas é haver um acordo entre comprador e vendedor para ambos dividir os prejuízo. E, a partir desse acordo de maneira judicial unir esforços juntos e demandarem contra a OLX buscando que esta empresa seja devidamente condenada a indenizá-los.
Mas e o golpista, não é ele quem deveria ser condenado a ressarcir as vítimas?
Infelizmente, na maioria das vezes, os golpistas não são encontrados e sequer se sabe qual é a real identidade deles, uma vez que eles aplicam os golpes à distância (muitas vezes de presídios) e utilizando documentos furtados de outras pessoas ou documentos falsos.
Por isso é muito importante tomar os devidos cuidados em anúncios de vendas para evitar de se tornar vítima desse estilo de golpe. Sempre tirar dúvidas e nunca fazer depósito na conta corrente do anunciante. Jamais mantenha silêncio em negociações.
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