03/11/2023 às 17h45min - Atualizada em 03/11/2023 às 17h45min

“Adrenalina e emoção se tornaram parte da minha vida”

A afirmação é da cedrense Marjorie Bavaresco, 35 anos. Ela que já disputou inúmeros campeonatos na região conta um pouco de sua trajetória no motociclismo

Redação
“Antes nem todos campeonatos tinham a categoria feminina, mas hoje é incrível a evolução, a mulherada vem firme, disputando e se destacando”, afirma Marjo. (Foto: Divulgação)
A participação das mulheres no motociclismo tem crescido a cada ano. Segundo dados da Abraciclo (associação que reúne os fabricantes de motocicletas do país), temos quase 9 milhões de mulheres motociclistas no Brasil. Desses 9 milhões, alguns se destacam por não utilizarem a moto apenas para se deslocarem para o trabalho no dia-a-dia, mas sim para o lazer, diversão e até mesmo para ganhar a vida através da prática de esportes sobre duas rodas.
Conforme a Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM), o número de mulheres pilotando motos profissionalmente, em 2019, passou de 80 para 200. Se considerar ainda as mulheres que pilotam, porém não possuem o registro na CBM, os números são ainda maiores.
Aos poucos, com a conquista de boas posições em competições e títulos, mulheres ganham destaque no motociclismo, um esporte dominado pelos homens, mostrando que o motociclismo possui modalidades para todos os tipos de pessoas que sejam velozes, aventureiras, fortes, habilidosas e as que amam viver a emoção de estar sobre duas rodas.
“A sensação de subir em uma moto não tem como explicar, no começo veio o medo e insegurança, depois uma mistura de adrenalina e emoção, que se tornaram parte da minha vida até hoje”, a afirmação é da cedrense Marjorie Bavaresco, 35 anos. Ela que já disputou inúmeros campeonatos na região conta um pouco de sua trajetória no motociclismo.
Marjo, como é mais conhecida, é secretária administrativa na Agropecuária Agrofértil, em São José do Cedro, há 15 anos, além disso é empresária, proprietária da Decorarte – uma empresa de decoração de festas – há sete anos. O primeiro contato de Marjo com o mundo das duas rodas foi aos 14 anos. Antes disso, ela acompanhava de longe o irmão, primos e tios, que participavam de trilhas e campeonatos de moto.
“Meu irmão tinha uma moto para brincar, isso há mais de 20 anos, quando ele saía trabalhar eu ia fuçar na moto dele, tentava ligar. Um dia ele chegou de surpresa e me viu mexendo na moto, foi quando começou a me ensinar pilotar”, relata.
Sua vida nas pistas começou a partir de uma brincadeira, após assistir uma corrida junto do irmão e seus amigos. “Meu irmão apostou com esses amigos uma caixinha de cerveja, se eu desse uma volta na pista de moto ele ganhava. Na época eu sonhava em ter um conjunto rosa de cross [roupa para andar de motocross], então meu irmão, para não perder a aposta pros amigos falou que se eu fosse ele compraria esse conjunto. Eu fui, dei a volta na pista e ganhei o conjunto. Desde então nunca mais parei de andar de moto”.
Aos poucos ela foi conquistando espaço no esporte, fazendo parte do moto grupo VX/MX, de São José do Cedro, já conquistou inúmeros títulos em campeonatos regionais, além de disputar no Rio Grande do Sul e no Paraná. “Todos os campeonatos são importantíssimos pra mim, guardo cada momento no meu coração, não tenho nenhum em especial pois em todos eu sempre fui por amor ao esporte”.
Como em todos os esportes, no motociclismo também há riscos, Marjorie já lesionou dedo, costelas, joelho e cóccix, mas as lesões não a fizeram desistir.
Sobre a participação das mulheres no esporte, hoje a situação é diferente, além de Marjo o moto grupo VX/MX conta com outras mulheres que pilotam. “Antes nem todos campeonatos tinham a categoria feminina, mas hoje é incrível a evolução, a mulherada vem firme, disputando e se destacando inclusive no meio dos homens”, afirma.
As motos são parte importante da vida de Marjo, que a tornam mais forte e a fazem ser quem ela é. No entanto, a vida é corrida e em alguns momentos é preciso definir prioridades. Hoje a prioridade de Marjo é o trabalho, que ocupa grande parte do seu tempo, então ela participa de trilhas de moto e de competições mais regionais como a Copa Oestina. 
“Há alguns anos já tive o meu auge, mas priorizando o trabalho, o tempo de treino é mais curto. É um pouco frustrante na verdade, já que eu sei que poderia ser melhor. Mas eu olho para tudo que já conquistei com muito orgulho. Fiz muitos amigos através do motociclismo, conheci vários lugares e quebrei barreiras por ser mulher neste esporte onde há época pouquíssimas participando”, destaca.
Para as mulheres que estão lendo, o recado de Marjo é: “A gente pode, basta querer. Conquistamos nosso espaço e precisamos segurá-lo com unhas e dentes, nós mulheres temos mais força do que imaginamos, indiferente do esporte ou do que vamos fazer, contanto que tenha amor tudo é possível. Sentir o gosto e poder dizer eu consegui não tem preço”, finaliza.


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