15/01/2024 às 15h15min - Atualizada em 15/01/2024 às 15h15min

Viganó será candidato a prefeito de Pato Branco

O granjeiro, pecuarista e empresário Roberto Viganó já foi prefeito de Pato Branco duas vezes, elegeu seu sucessor e agora se prepara para voltar ao cenário político

Redação
Roberto Viganó hoje está com 71 anos, e diz sentir orgulho de ter administrado Pato Branco com transparência e honestidade. (Foto: Igor Vissotto)
Roberto Viganó, filho de Ulisses Viganó e Beatriz Viganó, nasceu em Pato Branco dia 29 de novembro de 1951. Roberto é agricultor, pecuarista e empreendedor e além destes labores que o tornaram um dos mais bem sucedidos empresários da região tem na política o grande legado da sua vida. Quando os filhos o desafiam ele brinca com orgulho: “Olha que já fui prefeito de Pato Branco duas vezes e elegi meu sucessor!”. Viganó, como é mais conhecido, forjou a carreira política iniciando como membro da Sociedade Rural de Pato Branco, onde foi presidente, participou da Sociedade Rural por 11 anos e saiu dali para ser candidato a prefeito municipal de uma das maiores e mais belas cidades do Sudoeste do Paraná.
Assim como ser empreendedor já estava no sangue, a política também. Seu avô, João Viganó, foi prefeito de Pato Branco na primeira legislatura do município, seu tio Roberto Zamberlan, foi prefeito de Pato Branco por 6 anos, Hélio Viganó foi prefeito de Campo Erê por 6 anos e seu pai foi vereador em Pato Branco duas vezes.
Roberto Viganó assumiu a prefeitura de Pato Branco no dia 1º de janeiro de 2005. Ao assumir a prefeitura tinha 2800 funcionários. Ele conta que deu um crachá para cada funcionário e colocou um relógio ponto digital, brinca dizendo que apelidaram ele de “boi bandido”, por essa ação.
“Quando eu assumi a prefeitura tinha 384 funcionários da prefeitura de Pato Branco trabalhando na Itália, dei 30 dias para eles voltar e dei a ordem que se não voltassem seriam exonerados”, declara Roberto esbravejando sobre o abuso da situação vivida. Para ele sempre foi importante manter a transparência e honestidade.
Ao ser questionado sobre quais são seus orgulhos na política, ele declara que em primeiro lugar é a transparência que teve ao administrar Pato Branco: “Lá um centavo, era um centavo para mim”. Outro orgulho ter sido o primeiro prefeito reeleito em dois mandatos seguidos, coisa inédita em Pato Branco e ainda conseguiu eleger o seu sucessor, Augustinho Zucchi, hoje desafeto político. Segundo ele, nem seu avô e tio fizeram o sucessor. “Meu maior orgulho foi a amizade que fiz com o povo. Hoje quando ando pelas ruas, chego no final da esquina com as costas ardendo”, brinca ele.
Quando prefeito, Viganó respondeu mais de 20 processos, atualmente está respondendo apenas um. Ele explica que esse processo que está em julgamento trata de uma empresa que tinha 400 funcionários e restava 2% para concluir uma obra. Roberto adiantou R$ 700 mil para a empresa terminar a obra e pagar os funcionários. “A empresa quebrou, os funcionários não receberam e o dono da empresa sumiu, nunca mais vi ele. Pela lei eu não poderia ter feito isso e por isso estou respondendo na vara federal e esse processo vou ter que pagar. Falei com meu advogado e irá me custar perto de uns R$ 5 milhões”, explica Roberto.
Ele relembra de outro processo, onde fez um jornal mostrando Pato Branco antes de Viganó e o depois: “Isso me custou R$ 600 mil e um processo de dois anos de serviço comunitário. Por eu ser um homem público troquei o serviço comunitário por prisão domiciliar, no sábado e no domingo eu não podia sair de casa e foi assim por dois anos”, afirma ele.
Mesmo com turbulências Roberto se orgulha, pois ainda hoje as pessoas agradecem pelo seu governo, especificamente um programa criado por ele, Projeto PAE (Programa de Auto Emprego). O programa ensinava desde cortar cabelo, fazer unha até ser mecânico e administrador. O objetivo do programa era dar aos munícipes a oportunidade de ter seus próprios negócios.
“Me orgulho também em dizer que entreguei Pato Branco sem nenhuma favela. Quando eu assumi havia 32 famílias morando em um banhado, mandei fazer 32 casas em alguns terrenos abandonados da prefeitura e chamei as famílias para morar lá”, declara Viganó. Ele explica que não deu as casas para os patobranquenses, fez contrato em comodato para 10 anos.
Essa ação de Viganó fez com que ele respondesse a 32 processos: “A promotora me chamou lá e perguntou porque eu dei para Pedro e não para Paulo. Eu expliquei para ela que foi uma ação para tirar essas famílias da miséria, dar dignidade a cada família. Ela não entendeu assim”.
Os munícipes que precisassem de uma cesta básica tinham que apresentar o boletim das crianças e a carteira de vacina: “Essa era a minha ordem para a Ação Social, caso as famílias não apresentassem não ganhavam”, afirma ele.
Ao ser questionado sobre como um prefeito deve lidar com os promotores e juízes que querem mandar mais que o prefeito, ele responde: “A maior autoridade de um município é o prefeito, na minha opinião o promotor deveria cuidar das coisas dele. Tem muitos promotores que se envolvem em picuinha e aquilo vira em um processo”, responde ele.
Recentemente ele recebeu um amigo dizendo que queria se candidatar e ser prefeito, Roberto brincou com ele: “Tira até a sua mulher do seu nome, porque você vai pegar um monte de processo, que nunca teve”. Roberto fala que é difícil ser prefeito e que em sua vida particular nunca recebeu um processo, pois sempre buscou fazer o certo, mas como pessoa pública não consegue ter o mesmo controle.
Viganó está afastado do cenário político desde 2009, ele afirma que o povo e pessoas próximas pedem para ele voltar ao cenário político. Sua família não se posiciona contra e ele declara o desejo de voltar: “A pressão pra mim voltar está muito grande, mas principalmente porque Pato Branco hoje está muito mal administrada”, afirma ele.
“A política a Deus pertence, vou esperar mais um pouco para decidir, mas se tiver que ir pela força da população, vou com muito orgulho”, declara Viganó sobre sua volta ao cenário político. Ele relata ter muito orgulho de Pato Branco, município com quase 84 mil habitantes, é referência em educação e saúde na região e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município está em 3º lugar no Paraná. Em 1988 Viganó conta que deixou de ser prefeito em Campo Erê, em uma proposta de candidatura única, mas diz ter o mesmo sentimento por Campo Erê, porém não tem muito convívio com a população campoerense.
 
Conhecendo melhor a história de Viganó
Seus pais, Ulisses e Beatriz, vieram a cavalo de Caxias do Sul, município do Rio Grande do Sul, à Campo Erê no ano de 1947. Quando chegaram compraram terras e montaram uma serraria em parceria com alguns irmãos de Ulisses, ali teve início o legado empreendedor da família Viganó.
O casal teve quatro filhos e Roberto é o primogênito. Ele conta que seu pai, mesmo sem estudos, era um homem de muita visão: “Não é o estudo que faz a pessoa ter sucesso, mas sim a maneira dele ser”, afirma Roberto. O mesmo sente muito orgulho dos ensinos herdados pelo seu pai que sempre aconselhava a trabalhar e comprar terra.
Com seus 11 anos de idade, residindo em Pato Branco, começou a trabalhar limpando um açougue com soda, localizado na Baixada Industrial e relata que seus pés queimavam por conta da soda. Mas logo aprendeu e começou a auxiliar a cortar carne. Ele relembra que naquela época não existia máquina de serra fita para cortar carne, então cortavam em cima de um cepo com um machado. Trabalhou nesse açougue por dois anos e depois comprou um açougue para ele no qual trabalhou por quase uma década.
Em 1970 se casou com Neuza Amadori Viganó e pensando em dar um melhor conforto para sua família foi pedir conselhos ao seu pai. Ulisses sugeriu que seu filho vendesse o açougue e o fusca, carro usado por Roberto na época, e utilizasse o dinheiro para comprar um trator e ir para Campo Erê arrendar terra.
“Com 20 anos vim para Campo Erê e comecei a arrendar a terra dos meus tios que aqui moravam”, relembra como começou seu trabalho na área da agricultura. Em 1974 começou a plantar soja e segundo ele foi o segundo maior plantador de soja do município.
Com muito trabalho e determinação comprou uma área de terra de três alqueires: “Foi um dia feliz, assim como no dia que nasceu o meu primeiro filho”, declara Roberto. A partir disso foi trabalhando cada vez mais e adquirindo novas áreas de terras, Viganó comprou terra de 48 parentes.
De açougueiro para proprietário de terras, relembra que no começo pegava o trator e lavrava as terras durante a noite, para ele foi uma grande alegria conseguir plantar 31 sacos de soja. Nessa época sua esposa e seus dois filhos, Juliano e Caroline, ficavam em Pato Branco e ele não tinha condições de ir e voltar todo dia, então ficava em um acampamento no meio da lavoura em Campo Erê. “Eu chegava a ficar 20 dias sem ir a Pato Branco”, recorda ele que aproveitava para trabalhar bastante e assim proporcionar mais conforto à família.
O ato de empreender está no sangue da família. No final da década de 70, quando Ulisses desmanchou a parceria da sua serraria, escolheu abrir junto com seus três filhos uma empresa de sementes, chamada Sementes Beatriz. “Começamos construindo uma sementeira, depois ampliamos e construímos um armazém”, afirma Roberto.
Mesmo com a sementeira continuava investindo em terras e em busca de novas técnicas para aperfeiçoar seu trabalho, participou do primeiro plantio direto que aconteceu em Ponta Grossa, município paranaense.
Roberto já administrou uma sementeira, foi dono de uma frota de 30 carretas, chegou a ter 12,5 mil bois, sem mensurar as áreas de terra. Hoje sua fazenda é considerada uma das maiores do estado de Santa Catarina, Roberto Viganó foi campeão estadual em torno de 20 vezes em precocidade dos animais e também recentemente foi eleito bicampeão estadual de qualidade de carne. Hoje ele trabalha com 10 mil cabeças de bois, sendo 6 mil no cocho e o restante no campo.
Enquanto Viganó estava na política, seu filho Juliano foi quem cuidou de suas terras. Ao ser questionado se nesse período perdeu ou deixou de ganhar dinheiro, ele afirma que sim: “Nesse período eu deixei de ganhar porque meu filho era novo, não tinha experiência, ele não dava conta de cuidar tudo o que tínhamos. Deixei de ganhar e perdi muito dinheiro, mas não ligo muito pra isso não”, afirma o proprietário de terras em Campo Erê.
Além de granjeiro e político, Roberto é pai e um avô presente. O que não pode fazer para seus filhos, porque não tinha tempo, hoje faz triplicado para seus cinco netos. “Se eu não ver um neto ou dois por dia, eu fico doente, sou um homem muito ligado à família. Sempre procuro ensinar eles mostrando um boi no confinamento, instruindo eles que amanhã ou depois tudo irá ser deles”.
Quanto aos arrependimentos familiares, ele diz sentir por ter trabalhado bastante e não ter dedicado mais tempo aos filhos e à esposa. Nos finais de semana ele aproveitava para pegar o trator e ir arar a terra, ao invés de aproveitar um tempo com a família se preocupava em trabalhar e construir patrimônio. “Eu era muito ganancioso, hoje eu vejo que deixei muito a desejar”, fala ele que sente por não ter aproveitado mais tempo com sua família.
“Hoje eu aconselho os meus filhos a fazer diferente, às vezes eu venho para a fazenda, para o meu filho poder ficar brincando com os filhos dele”, relata Roberto que incentiva os seus filhos a aproveitar mais o tempo em família.
Hoje ele dedica mais do seu tempo para ficar com sua família, às vezes leva seus netos jogar bola e fica lá vendo eles, leva ao shopping e na fazenda. “Aconselho a todos que posso, não fazer o que eu fiz, a família tem que ser em primeiro lugar”, afirma ele.
Quanto aos amigos, ele fala que são poucos e poucas são as pessoas que conseguem encher mais que uma mão com verdadeiros amigos. “No final das contas estes amigos também fazem parte da família, a família que escolhemos”.
Viganó declara que é apegado as suas coisas e que é muito detalhista: “Se eu estiver andando na fazenda, vou lá e digo para o meu capataz que em tal lugar tem um fio de arame da cerca arrebentado, sou muito detalhista”, afirma ele. Além de detalhista, para ele é importante olhar o custo das coisas.
Roberto está com 71 anos, mas diz não sentir o peso da idade. O seu desejo é que todos tenham um 2024 cheio de saúde e que as coisas possam ser diferentes no Brasil. “Ver um homem sair da prisão para ser o nosso presidente, dói. Isso dói para quem é sério”, afirma Roberto.
“Aprendi com meu pai e ensinei meus filhos que na vida, não tem nada como um dia após o outro, hoje você está lá embaixo, mas amanhã pode estar lá em cima”, declara Roberto afirmando que nunca deve se desprezar as pessoas que estão ao seu lado.


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