A serenidade no estoicismo

Coluna de opinião do jornal impresso

Por Igor Vissotto-

O sol nasce sobre a pequena cidade. Com ele, chegam não apenas a luz, mas uma infinidade de acontecimentos: um diagnóstico difícil no hospital, um negócio que não fecha, uma palavra que magoa, uma alegria inesperada. A vida, em sua coreografia imprevisível, dança para cada um de nós. E, há mais de dois mil anos, um grupo de filósofos na Grécia e em Roma propôs uma forma de dançar junto, sem tropeçar nas pedras do caminho. Eles se chamavam estoicos, e seus princípios são um mapa antigo para uma vida sábia e bem-sucedida nos dias de hoje.

O primeiro e mais fundamental pilar do Estoicismo é a divisão do mundo entre o que está sob nosso controle e o que não está. Sob nosso controle estão nossos julgamentos, nossas opiniões, nossos desejos e aversões – enfim, tudo que é interno. Fora de nosso controle está tudo o mais: a saúde, a riqueza, a fama, a opinião alheia e até o trânsito. A raiz da infelicidade e da frustração, ensinam os estoicos, é a teimosa insistência em querer controlar o incontrolável. A sabedoria começa quando focamos nossa energia apenas na nossa esfera de influência – nossa atitude perante os eventos – e aceitamos com serenidade o resto.

Imagine um médico diante de um paciente crítico. Ele não controla a doença em si, a genética do enfermo ou o desgaste natural do corpo. O que ele controla é seu conhecimento, sua dedicação, sua compaixão e a excelência técnica com que executará seu trabalho. Agir com virtude – que para os estoicos é a única coisa verdadeiramente boa – dentro de sua esfera de influência, é o caminho da sabedoria. O sucesso, nessa visão, não é o resultado final (a cura, que pode ou não vir), mas a integridade do processo.

Isso nos leva ao segundo princípio: a aceitação racional do destino, o Amor Fati (Amor ao Destino). Em vez de lutar contra a realidade, o sábio estoico a abraça. Cada obstáculo é visto não como uma maldição, mas como uma oportunidade para exercitar uma virtude: a paciência, a coragem, a resiliência. O trânsito parado é uma chance para praticar a calma. A crítica injusta, um exercício de humildade. A perda, um mestre em desapego. Quando paramos de gritar "isso não é justo!" e começamos a nos perguntar "como posso usar isso para me tornar melhor?", mudamos completamente o jogo da vida.

E como essa prática nos torna mais sábios e bem-sucedidos? A sabedoria estoica não é um acúmulo de conhecimento, mas a clareza para navegar a existência. É a tranquilidade de quem sabe que, independentemente do caos externo, seu caráter interno permanece intacto. É a liberdade de quem não é mais escravo das opiniões alheias nem das circunstâncias passageiras.

Já o sucesso, longe de ser apenas material, é a profunda sensação de que se viveu de acordo com a própria natureza racional e virtuosa. É a satisfação de saber que deu o seu melhor, independentemente do placar. Pessoas assim tornam-se líderes mais centrados, profissionais mais confiáveis, amigos mais leais, pais verdadeiramente presentes. Elas constroem coisas que duram, não por sorte, mas porque sua fundação é a solidez do caráter.

 

50 anos do hospital Santo Antonio

E falando em construir coisas que duram, é um privilégio e uma alegria ilustrar esses princípios com um exemplo vivo e cortês. No município de Campo Erê, uma família escreveu, com ações e não apenas com palavras, uma página de estoicismo prático.

É com enorme admiração que parabenizo a família Lunardi, em especial o visionário Dr. Olides Lunardi e sua filha, Marta Werle Lunardi Gerber. Há cinquenta anos, no dia 31 de outubro, o Hospital Santo Antonio era fundado, materializando um sonho de cuidado, compaixão e serviço à comunidade com o forte propósito de praticar medicina de qualidade.

O que é a trajetória de meio século dessa instituição senão a aplicação dos princípios estoicos? Dr. Olides focou naquilo que estava sob seu controle: seu conhecimento médico, sua vontade férrea de servir e sua visão para o futuro. Junto com irmãos e familiares fundaram o hospital Santo Antonio.

A família Lunardi enfrentou, com certeza, inúmeros obstáculos, entre eles a aceitação racional do desafio de erguer e manter um hospital. Olides contou com a dedicação da esposa e companheira de vida Maria Werle Lunardi e hoje a filha Marta Gerber, dá continuidade a esse legado, entendendo que o verdadeiro sucesso não está apenas na inauguração, mas na perseverança virtuosa ao longo de décadas.

O Hospital Santo Antonio é mais que um conjunto de paredes e equipamentos; é um monumento à virtude do cuidado, à sabedoria da perseverança, a medicina de qualidade e ao sucesso que se mede em vidas tocadas e aliviadas. Um legado que, com certeza, enche de orgulho não apenas a família Lunardi, mas toda a comunidade de Campo Erê.

Parabéns pelos 50 anos! Que continuem, por muitas décadas, sendo um farol de serenidade e competência, nos ensinando que a maior obra que podemos erguer é aquela feita para o bem do próximo.

 

 

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