Há eventos que acontecem no calendário de uma cidade e passam. E há aqueles que ficam — não apenas na memória, mas no coração da comunidade. O 12º Festival da Canção de Palma Sola, o nosso querido FECAPS, pertence a esse segundo grupo. Durante duas noites no CTG Estância da Fronteira, nos dias 28 e 29, Palma Sola cantou, torceu, vibrou e se reconheceu no palco.
Foram 36 apresentações na fase classificatória e 44 na final. Crianças, jovens, adultos, talentos experientes e vozes estreantes — gente de todos os cantos, de todos os estilos, de todas as histórias. O festival, realizado inteiramente com recursos da Lei Aldir Blanc, distribuiu mais de R$ 12,2 mil em premiações, mas o valor disso tudo vai muito além do dinheiro. O prêmio maior, como sempre, foi da comunidade: ver seus filhos, netos, amigos e vizinhos encarando o microfone com coragem e deixando a alma escorrer pela música.
Há algo profundamente bonito em assistir alguém conhecido cantar. É quase um reencontro. De repente, aquele menino que você viu crescer, a colega de trabalho, o vizinho do bairro, revelam um lado que só o palco é capaz de mostrar. A plateia se emociona, se encanta, se sente parte. E é mesmo: um festival municipal é, antes de tudo, um espelho da comunidade.
Este ano, o FECAPS trouxe novidades importantes. A criação da categoria PcD, destinada aos alunos da Apae Pequeno Guinther, foi um gesto de sensibilidade e reconhecimento. Como disse a diretora de cultura, Maristela Girardi, a Téya, “existem muitos talentos musicais dentro da Apae”. E existiam mesmo — bastou abrir espaço para que brilhassem.
Outra mudança foi a reorganização das categorias adultas, separando o Gospel das músicas Populares, Sertanejas e Nativistas. Diversidade, respeito e amplitude. E isso se refletiu no palco: do louvor à vaneira, do sertanejo ao pop, cada estilo encontrou sua casa.
Confira nesta edição a matéria completa, com a relação dos ganhadores.
Como afirmou o prefeito Marcio Sansigolo, o FECAPS é mais do que uma competição: “É encontro. É troca. É o momento em que a cultura de Palma Sola se reconhece como força viva, potente, coletiva”.
É também uma escola. Para as crianças e adolescentes, subir ao palco é aprender sobre coragem, disciplina, autoestima. É descobrir que sua voz tem espaço. Para os adultos, é reencontrar sonhos, alguns guardados desde a juventude. Para a comunidade, é celebrar sua identidade.
Por isso, é justo parabenizar o poder público municipal. Realizar um festival desse porte, com organização, sensibilidade e incentivo cultural, é defender a alma da cidade. É fortalecer o que nos une.
No fim da noite, quando o último acorde ecoa e as luzes se apagam, fica aquela sensação boa de pertencimento. O orgulho no peito. O brilho diferente nos olhos de quem cantou — e de quem assistiu. Porque festivais como o FECAPS têm esse poder: transformar, aproximar, revelar.
Que venham as próximas edições. Palma Sola já provou que sabe cantar. E, mais do que isso, sabe ouvir.