Há uma pergunta que deveria estar no centro da eleição para o Senado em Santa Catarina: Quem conhece Santa Catarina o suficiente para representá-la em Brasília?
Não é uma pergunta sobre esquerda ou direita. É sobre pertencimento, conhecimento do Estado e compromisso com os problemas de quem vive aqui.
Santa Catarina elegerá dois senadores em 2026. E as pesquisas mostram uma disputa aberta.
No levantamento mais recente do Real Time Big Data, realizado entre 12 e 16 de setembro, Carol De Toni aparece com 24% das intenções de voto, enquanto Esperidião Amin e Carlos Bolsonaro têm 20% cada. Pela margem de erro de dois pontos percentuais, os três estão tecnicamente empatados.
Outra pesquisa, da AtlasIntel, realizada entre 4 e 9 de setembro, encontrou um cenário diferente: Carol De Toni com 28,4%, Esperidião Amin com 20,2% e Carlos Bolsonaro com 14,9%.
É justamente por isso que o debate deveria ser maior.
Carlos Bolsonaro é um nome nacional. Seu sobrenome dispensa apresentações. Mas uma cadeira no Senado não representa um sobrenome. Representa um Estado.
E aí surge uma questão legítima: qual é a relação de cada candidato com Santa Catarina?
Carlos Bolsonaro construiu sua carreira política no Rio de Janeiro e transferiu posteriormente seu domicílio eleitoral para Santa Catarina. Durante esta campanha, sua ausência em debates e sabatinas no Estado também passou a fazer parte da discussão eleitoral.
Debate não deveria ser tratado como detalhe.
Quem pede um voto para representar Santa Catarina precisa estar disposto a responder às perguntas dos catarinenses.
Sobre as rodovias. Sobre os portos. Sobre o agronegócio. Sobre a indústria. Sobre segurança. Sobre saúde. Sobre os municípios pequenos, que muitas vezes precisam peregrinar por Brasília para conseguir recursos.
E precisa responder também sobre sua própria trajetória.
Santa Catarina tem uma direita política própria. Tem história, nomes, partidos, lideranças e uma cultura política que não nasceu ontem.
Esperidião Amin é um exemplo dessa trajetória. Catarinense, ex-prefeito de Florianópolis, ex-governador, deputado federal e atual senador, construiu sua carreira política dentro do Estado e mantém atuação parlamentar em temas catarinenses, como a BR-101 e o Morro dos Cavalos. Há poucos dias eu mesmo entrevistei ele e o Antídio Lunelli aqui na cidade de Palma Sola.
Isso não determina o voto de ninguém. Mas permite uma comparação que considero fundamental: o eleitor pode olhar para aquilo que cada candidato fez, aquilo que defende e aquilo que pretende fazer.
A política nacional continuará influenciando Santa Catarina. É inevitável.
Mas influência não precisa significar submissão.
O eleitor catarinense pode escolher seus representantes olhando para Brasília, para o Brasil e, principalmente, para aquilo que acontece entre o Oeste, o Meio-Oeste, o Planalto, o Norte, o Vale, o Sul e o Litoral.
Porque, no fim das contas, o senador não será senador do bolsonarismo, do lulismo ou de qualquer outro movimento nacional. Será senador de Santa Catarina.
E talvez essa seja a pergunta mais simples desta eleição:
antes de perguntar de quem o candidato é aliado, por que não perguntar o que ele conhece de Santa Catarina?