Sempre defendi o voto distrital. A ideia é simples: escolher representantes que conheçam de perto as demandas, as dificuldades e as necessidades da região que pretendem representar. Parece óbvio.
Mas o deputado estadual Marcos Vieira (PSDB) me fez rever uma parte dessa convicção.
O Sentinela do Oeste completa 20 anos no próximo mês de janeiro. E foi por volta de 2009 que conheci Marcos Vieira pessoalmente. Naquela época, ele esteve na humilde sede do Jornal Sentinela do Oeste, aqui em Palma Sola.
Naqueles primeiros anos, era relativamente comum receber no jornal a visita de deputados, prefeitos, secretários e outras autoridades. Com o passar do tempo, essas visitas foram ficando menos frequentes. A de Marcos Vieira, não.
Ele não visitava apenas a sede do jornal.
Visitava os municípios.
Todos os 295 municípios de Santa Catarina, como gostava de destacar. E, naturalmente, mantinha uma atenção especial ao Grande Oeste.
Ao longo dos anos, municípios da região receberam recursos destinados a diferentes áreas. Mais do que isso, Marcos Vieira foi um dos articuladores da criação da Bancada do Oeste na Assembleia Legislativa, em 2019, e chegou a coordená-la em 2023.
Na bancada, ajudou a defender pautas importantes para a região, como rodovias, energia trifásica no meio rural, internet rural, aviação regional e, de maneira especial, as demandas dos produtores de leite.
Meses atrás, em uma iniciativa pouco comum, levou a Anchieta o presidente da Celesc para discutir de perto as demandas do município.
É esse tipo de atuação que, para mim, define um municipalista.
Não apenas aquele que aparece durante a campanha, mas aquele que percorre municípios, conversa com prefeitos, vereadores, empresários, agricultores e lideranças comunitárias e leva as demandas locais para dentro das instituições.
Nas eleições deste ano, Marcos Vieira recebeu 37.916 votos e ficou entre os 40 candidatos mais votados para a Assembleia Legislativa, ficou na 30ª posição em votação nominal. Ainda assim, não foi reeleito: na distribuição das cadeiras pelo sistema proporcional, a federação PSDB/Cidadania não conquistou uma vaga.
E assim, pela matemática do sistema proporcional, Santa Catarina deixará de ter no Parlamento um deputado que, durante anos, manteve uma presença particularmente próxima dos municípios do Oeste.
Não se trata aqui de discutir ideologia, partido ou preferência eleitoral.
É uma constatação sobre representação regional.
O Oeste perde um deputado que conhecia seus municípios, suas lideranças e, principalmente, algumas de suas necessidades mais concretas.
O Oeste perde um municipalista.