01/09/2020 às 14h12min - Atualizada em 01/09/2020 às 14h12min

Em Guarujá, família Werner é destaque na agricultura familiar

O agricultor Elizer fala sobre a importância desse incentivo

O município de Guarujá do Sul tem se destacado no que diz respeito à compra de gêneros alimentícios oriundos da agricultura familiar. Prova disso, é o investimento de 80% dos recursos oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sendo que a Lei exige no mínimo 30%. Esta aquisição resultou na implantação, diretamente nas escolas municipais, dos projetos: "Alimentação Saudável, um ato de amor" e "Farmácia Viva nas escolas".
“Estes projetos são voltados a reeducação alimentar e construção de novos hábitos de vida que visam bem estar físico, social e psicológico através de ações pedagógicas nas mais variadas disciplinas", frisa a administração. "A agricultura familiar é extremamente importante para o fornecimento de alimentos diversificados e de qualidade, além disso, incentiva os agricultores, proporcionando maior renda e maior retorno no comércio local do município", complementa.
 
Primeiros passos: conscientização
Segundo a nutricionista Márcia, atuante na Secretaria de Educação, em 2017 iniciou no município um extenso trabalho de conscientização, com o objetivo de levar aos envolvidos conhecimento sobre a importância de uma boa alimentação e os benefícios dela na agricultura familiar. “Em 2018, foram implantados os projetos nas escolas, mas já havíamos feito um grande trabalho de conscientização”, conta ressaltando que se teve grande avanço nas atividades realizadas pelos alunos, entre elas: teatro e dança.
“Consequentemente, o volume de compras aumentou. No início, se comprava o que a Lei exigia, e com os anos, melhoramos. Junto do decreto municipal que exigiu a retirada de alguns alimentos do cardápio escolar, foi extinguido o uso de margarina e de outros produtos industrializados, dando espaço ao uso do melado orgânico”, comemora acrescentando que a Cooper Flor do município passou a industrializar o leite para as escolas, fazendo com que, essas instituições passassem a economizar na compra, gerando economia para as escolas e renda para uma empresa do município.
“Existe no município uma organização de agricultores para fornecimento de leite orgânico. Esse projeto é muito interessante. No momento, está um pouco paralisado, mas continuamos comercializando nas escolas o leite de origem familiar, pois ele é processado nas industrias da Terra Viva”, esclarece. “O grande destaque vai aos agricultores, que empenharam-se em melhorar suas propriedades e passaram a ter uma parceria com a Epagri, para organizar o calendário de produção. De forma geral, estamos felizes e satisfeitos, pois eles têm se dedicado muito e estão impecáveis em qualidade e atendimento”, frisa.
Neste ano, junto da pandemia e da paralização das escolas, as compras na agricultura familiar foram deixadas de lado. “Junto de novos planejamentos, surgiu a ideia da realização desse investimento, mas para a criação de kits aos alunos, que serão compostos por itens coloniais e não industrializados. Pretendemos entregar o quanto antes”, explica.

Produtor orgânico desde 2013
Entre os produtos orgânicos e fornecedores do município, a família Werner está em destaque. Desde 2013, ano em que receberam a certificação orgânica de toda a propriedade, localizada na Linha Maidana, produzem uma variedade de produtos, entre eles: melado, mandioca, laranja, feijão e outros. Conforme o agricultor Elizér Werner, de 26 anos, o carro chefe da propriedade é o leite.
“A administração sempre apoiou a agricultura e esse foi um grande incentivo a nós produtores. Vemos que o grande objetivo é conscientizar os alunos e propor a eles uma alimentação de qualidade, por meio de produtos diferenciados e orgânicos. Esse é um grande desafio. Com isso, temos mais vontade de produzir”, destaca. “Não recebemos por alimento orgânico, mas temos a prioridade de entrega por ser orgânico. Sempre trabalhamos nessa linha, antes das escolas, entregávamos às Apaes, e hospitais”, lembra.
Segundo ele, é realizado um levantamento nos mercados, sobre os valores de cada produto, e após isso, executada a licitação. “Como os preços variam, a compra na agricultura também varia. Entregamos os produtos conforme temos, infelizmente neste ano, entregarei melado até terminar o estoque, é provável que não tenhamos para entregar os 12 meses do ano. Mas mandioca, feijão, laranja e outros dessa linha, vamos entregando conforme o consumo das escolas, e conseguimos entregar o ano inteiro”, esclarece.
 
Fortalecimento na agricultura  
Elizér é responsável pelo serviço realizado na propriedade. Conta com a ajuda dos pais, mas por serem de idade avançada, o trabalho pesado é por sua autoria. “Fiz o colégio agrícola e resolvi voltar para ajudar meus pais. Para não ficar apenas na produção de leite, que tem seus altos e baixos, decidi trabalhar com outros produtos, para diversificar e haver equilíbrio na renda mensal”, conta enfatizando que o destaque da propriedade se dá pelo trabalho via agroindústria.
“Pretendo fortalecer a produção de melado, mandioca e feijão. Como a mão de obra está curta, terei que deixar algum produto de lado, que será a pipoca. Além das merendas escolares, entrego os produtos há alguns mercados do município e para um restaurante de São Miguel do Oeste. Já entreguei a um supermercado, também de São Miguel, mas não imaginei que teria tanta demanda, pois em quatro meses acabou todo o meu produto”, comemora. “Mais produtores poderiam trabalhar nesta linha e é muito viável. Eu poderia trabalhar tranquilamente com apenas um produto, mas é preciso ter variedade para atender a região”, finaliza.
 
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