19/12/2020 às 10h28min - Atualizada em 19/12/2020 às 10h28min

Uma tradição estilhaçada pela pandemia

A família Bernardon, de Flor da Serra do Sul, estaria comemorando o seu 50º encontro natalino, até a chegada do Coronavírus

Da redação
Nas ruas e casas, as luzes natalinas já estão acessas. Tão logo iniciará o debate sobre a onipresença da uva passa e o término dos panetones trufados. E se a antecedência na decoração, em anos anteriores, parecia roubar o sabor das festas, neste ela será recebida com certo gosto de alívio, porque todos querem virar a folhinha de 2020 – que ano!
Mas logo baterá a angústia, que fará com que todos desejem que a Terra, ao contrário, rode lentamente. Pois, antes de o peru entrar no forno, quem sabe, ainda dará tempo de resolver a situação armada pelo Coronavírus. Afinal, como será o Natal da pandemia? E, antes mesmo de pensar nas festas de fim de ano, como ficam outras comemorações, aniversários e reuniões de família, agora que tudo parece estar se flexibilizando? É o que muitos se perguntam.
Ou, ao menos, é a pergunta da família Bernardon quanto aos seus encontros, que costumava reunir mais de 50 pessoas na casa da vovó Olga, em Flor da Serra do Sul. Quem relembra parte da história é o sulflorense Reinaldo Guimarães [genro de dona Olga], que com a colaboração do seu filho Aguinaldo, comenta que neste Natal, completaria 50 anos desde o primeiro encontro, de uma tradição natalina estilhaçada pela pandemia.
“O ‘Natal da família’ começou com os avós Pedro e Olga, no dia 24 de dezembro de 1970. Seria apenas um encontro como tantos outros, mas ninguém imaginava que naquele momento iniciaria uma tradição que já está complementando 50 anos. Uma família verdadeiramente cristã, que têm em Jesus Cristo o fundamento da fé e por consequência o sustentáculo dessa tradição. O núcleo central roda em torno da matriarca Olga, que já está com 96 anos, completados há poucos dias”, ressalta.
 
Do nascimento ao luto
A família mantém recordações emocionantes, como o comovente falecimento do vovô Pedro, datado no dia do nascimento de Jesus. “Isso foi em 1985, pensávamos que aquilo poderia estragar essa linda tradição, mas não, nos uniu ainda mais. No ano do ocorrido, num verdadeiro testemunho de sua fé, dona Olga determinou a duas de suas filhas que fossem em casa preparar a ceia para os netos que lá estavam, para que eles não recordassem daquela data com tristeza”, relembra enfatizando que os Natais foram se sucedendo e a família aumentando, chegando hoje a mais de 50 pessoas.
“Neste ano, teremos um Natal diferente, pois não haverá reunião na casa da vovó, como é de costume, e cada núcleo familiar se reunirá em sua própria casa para evitar aglomerações, prezando assim pelas normas da saúde. Mas nem por isso o Natal deixará de ser celebrado, não pela festa em si, mas pelo sentimento espiritual que nos une sempre na solenidade do nascimento de Jesus”, finaliza.
 
Para o neto Aguinaldo
“Nasci em 1970, com sorte, no mesmo ano em que a tradição começou. Desde então, passei todos os natais na casa da vovó. E não apenas eu, mas toda a família. Em todos os anos nós oramos juntos agradecendo a Deus por mais um ano, e também ceamos, trocamos presentes e celebramos a felicidade de uma família reunida. Nesse Natal, de um ano tão atípico, não será possível tamanha aglomeração, mas ainda assim, mesmo que em casas separadas, unidos apenas por videoconferência, celebraremos nossa união e de forma alguma deixaremos de citar o que está escrito em 1 Tessalonicenses 5.18: ‘Em tudo daí graças…”, diz.
 
Cuidado na decoração
Segundo a filha Vani, essa época do ano é especial para a família, onde a casa é toda decorada, com destaque para a árvore e o presépio. “Ainda criança, aprendi com minha mãe a importância e a beleza de enfeitar a casa para comemorar o nascimento de Jesus. Hoje, cabe a mim essa parte da decoração, onde faço com muito amor. Percebo que muitos passam pela nossa casa e param para admirar e, por vezes, dizem: ‘pelo menos aqui é Natal!’. Não há nada que me deixa mais feliz do que poder transmitir esse Espírito de renascimento e de esperança”, destaca.
“Ao decorar a casa, sinto minha família mais próxima, pois todos se reúnem, voltam ao ninho, ao aconchego, aos abraços e beijos da mãe. A casa enche de alegria e brilho, chega a ofuscar as luzes dos enfeites! É neste momento em que aprendemos a importância da família, de termos fé e do quanto é importante louvarmos pelas nossas vida e pelas bênçãos recebidas”, comenta concluindo que neste ano, o Natal não será o mesmo, mas terá o mesmo brilho dos anos passados. “Minha mãe adora os enfeites, fica ansiosa para que eu termine o quanto antes. Neste ano, entendemos que é o momento de preservarmos uns aos outros e, principalmente, a vovó”, finaliza.
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