O período integral vem ganhando espaço no ensino fundamental nas escolas de Anchieta. Na rede municipal, duas das cinco unidades já trabalham com a modalidade: Escola Municipal de Educação Infantil e Fundamental Xavantes e a Creche Pró Infância. Na rede estadual, as três escolas existentes no município passaram a oferecer o atendimento em período integral a partir deste ano.
Segundo a secretária municipal de educação, Ana Paula Milan, a experiência na rede municipal já ocorre há mais de três anos. Na creche, o atendimento passou a contar com almoço há cerca de um ano. Antes, as crianças permaneciam na unidade durante parte do dia, retornavam para casa no horário do almoço e voltavam no período da tarde. Atualmente, permanecem na escola até as 18h20.
Com a implantação do período integral na rede estadual, os estudantes passaram a contar com atividades complementares em diferentes áreas. Entre as propostas estão oficinas de informática, ações pedagógicas, atividades voltadas à recomposição da aprendizagem e momentos de recreação. A organização é definida por cada escola, considerando os interesses dos alunos.
A participação ocorre mediante manifestação de interesse das famílias e formação das turmas, conforme a oferta de cada unidade. Os estudantes permanecem na escola durante todo o dia nos dias definidos pelas instituições.
Ana Paula afirma que os primeiros relatos sobre a experiência na rede estadual são positivos. Conforme a secretária, famílias e estudantes têm destacado a oportunidade de desenvolver habilidades além dos conteúdos trabalhados tradicionalmente em sala de aula.
Caso a procura ultrapasse a oferta, a prioridade deve considerar estudantes em situação de maior vulnerabilidade social, econômica ou de desenvolvimento. Depois de atendido esse público, as vagas podem ser destinadas aos demais interessados.
Apesar da boa aceitação, a ampliação do período integral representa desafios para a gestão da Educação Municipal. Ana Paula explica que os recursos específicos enviados pelo Governo Federal para implantação da modalidade não estão mais sendo repassados neste ano. Com isso, os custos precisam ser absorvidos pelos recursos já destinados à educação, incluindo o Fundeb.
Segundo a secretária, o período integral está previsto no Plano Municipal de Educação e precisa estar alinhado aos instrumentos de planejamento e orçamento do município, como a LDO, o PPA e a LOA.
Procura por vagas na creche
A creche é uma das unidades que registra aumento na procura pelo período integral. Até junho, havia três crianças na fila de espera. Atualmente, são oito. A Secretaria de Educação aguarda a conclusão de uma chamada pública para viabilizar a abertura de uma nova turma. A expectativa é atender crianças de quatro meses a um ano. Para a criação da turma, é necessário alcançar o número mínimo de alunos previsto para o atendimento.
Ana Paula reforça que a creche é uma instituição educacional e que o acesso à educação é um direito da criança. Segundo ela, o atendimento em período integral possui critérios próprios e depende da existência de vagas e estrutura para sua oferta.
Para a secretária, o avanço do período integral representa uma oportunidade de ampliar as experiências educacionais dos estudantes, mas exige planejamento, estrutura adequada e recursos para que o atendimento possa ser mantido de forma organizada.