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19/03/2022 às 09h52min - Atualizada em 19/03/2022 às 09h52min

Projeto Eu Me Sirvo

O projeto visa trazer autonomia e poder de escolha para as crianças, que irão escolher os alimentos que querem comer

Da redação
Sentinela
A Secretaria Municipal de Educação de Campo Erê está implantando o projeto Eu Me Sirvo, que consiste em disponibilizar um buffet para que as crianças se sirvam na hora do lanche. O objetivo é desenvolver nas crianças a autonomia de escolher o próprio alimento.  
Segundo a secretária da pasta, Rozangela Moccelini, que trabalha há mais de 30 anos na área de educação, implantar um projeto como este era um desejo antigo, que vinha sendo alinhado com a prefeita Rozane Moreira (PT), que é professora há 28 anos na rede municipal.
Atualmente os alimentos das crianças são preparados em grandes panelas, e os pratos das crianças são montados pelas merendeiras. Com o novo modelo, os alimentos ficarão dispostos em um carrinho de buffet e as crianças irão se servir. Além disso, o buffet conserva a temperatura dos alimentos. Segundo a nutricionista Marina Bernardi Utzig, que trabalha no município há 6 anos, manter a temperatura é de suma importância:
“Teremos um alimento mais saboroso e seguro para as crianças, pois vamos diminuir as mudanças de temperatura. A margem de temperatura ideal é até 10º para alimentos refrigerados e 60º para alimentos cozidos, caso contrário pode ser perigoso, por conta da proliferação de bactérias”, explica Marina.
Outra situação proporcionada pelo projeto é a diminuição do desperdício, pois cada criança irá servir o que quer comer. Para a instalação do projeto, o município investiu R$ 17 mil em nove carrinhos de buffet adaptados para crianças. Eles devem começar a funcionar em abril.
 
Alimentação nas escolas
Atualmente a Secretaria de Educação gasta cerca de R$ 50 mil por mês com a alimentação escolar. “Temos em torno 1.350 alunos, mais os professores e demais servidores, que podem consumir os alimentos ofertados para as crianças”, explica a secretária Rozangela. 
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) existe há cerca de 60 anos em âmbito nacional, ele dá as diretrizes da alimentação e nutrição dos alunos. Algumas delas, que já causaram muita polêmica, como o corte de sal e açúcar nas escolas. Após 2020 a nova resolução do programa impõe mais restrições na alimentação escolar especialmente em relação ao açúcar e produtos industrializados ou ultra processados.
A alimentação escolar é padronizada pelo Fundo de Desenvolvimento da Educação (FNDE) então Marina, enquanto profissional de nutrição, não tem autonomia para montar os lanches. “Temos um quadro de macro e micronutrientes que guiam como será montado o cardápio. Por exemplo, três vezes na semana ofertamos comida de panela e duas vezes temos um lanche. Temos que colocar legumes e verduras no meio, fazer um bolo de cenoura ou beterraba por exemplo”, salienta Marina. 
Segundo a nutricionista, atualmente 30% das crianças do município estão acima do peso, um percentual muito grande. Um dos motivos para isso são os hábitos nutricionais das crianças, que vem decaindo.
“A alimentação passou de alimentos in natura (feijão, arroz e frutas), para ultra processados como bolachinhas, salgadinhos e doces. A alimentação com excesso de industrializados é cada vez mais presente nas famílias. Percebemos nas crianças alterações de glicemia e triglicérides. Tenho, por exemplo, uma criança que tem hipertrigliceridemia bem séria. Pode ser genético, mas a alimentação interfere muito nessas questões de saúde”, a nutricionista.
 
As crianças vão buscar o que é mais gostoso?
Como cada criança irá se servir e escolher o próprio alimento é natural que eles peguem o que mais gostem. “Não iremos forçar nenhuma criança a comer, isso nem deve ser feito até para evitar traumas e vínculos negativos com a comida. Iremos ofertar todos os alimentos às crianças e propor que eles experimentem, essa é a intenção da educação nutricional”, afirma Marina.
 
Método BLW
O BLW consiste em uma abordagem de introdução alimentar em que bebês consomem todos os tipos de comida. Essa estratégia envolve a oferta de alimentos aos bebês em sua forma integral, ao invés de alimentos com colher na forma misturada ou em papa. Sendo assim, os bebês devem ser apresentados a uma grande variedade de alimentos para comer com a mão, podendo escolher o quê, quando e quanto comer, e compartilhar os alimentos e as refeições com sua família.
 
O açúcar
Nas escolas a orientação é ofertar açúcar para as crianças após os 3 anos. Em geral, a recomendação médica é não oferecer açúcar antes dos 2 anos. Isso também vale para alimentos ultra processados. “A gente não precisaria de açúcar, pois os carboidratos formam a glicose”, afirma a nutricionista.


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