O número crescente de casos de brucelose em São José do Cedro tem chamado a atenção da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). Atualmente o município conta com seis casos ativos da doença.
A médica veterinária que atualmente está responsável pela unidade da Cidasc de Cedro, Mylena Karoline Valmorbida, explica que a brucelose é uma doença causada por uma bactéria. Sua principal manifestação é através do aborto em fêmeas bovinas e pela aquisição de animais sem exames, que através da ingestão de pastagem contaminada, restos de aborto, ingestão do leite sem ferver, pode ser transmitida aos demais animais do rebanho e para os seres humanos.
Na maioria dos casos, a brucelose humana ocorre quando o proprietário faz o auxílio do parto de animais positivos, podendo colocar a sua saúde em risco, e consequentemente pode se infectar com a doença. Além disso, a doença é transmitida através do consumo do leite não fervido ou outros derivados não pasteurizados e consumo de carne contaminada mal cozida.
Os principais sintomas de brucelose humana são: febre alta e intermitente, sudorese noturna, calafrios, fraqueza, cansaço, perda de peso, dores de cabeça, articulares, musculares, no abdômen e nas costas, anorexia, insônia e impotência sexual.
A médica veterinária relata que em casos de brucelose humana, a pessoa supostamente infectada pela doença, deve ser encaminhada ao posto de saúde para a realização de exames, em casos positivos, deve ser realizado o tratamento com antibiótico.
Ao ser constatado focos ativos de brucelose dentro da propriedade, esses animais vão para o abate. De acordo com Mylena, quando um animal precisa ser abatido por conta da doença, o produtor é indenizado pelo Governo do Estado: “Esse ressarcimento, não é o valor total da vaca, é o valor do boi gordo”.
Os municípios onde o Sentinela circula [Palma Sola, Campo Erê, Anchieta, Flor da Serra do Sul, Guarujá do Sul e São José do Cedro] ficam próximos da Argentina, sendo comum a aquisição de animais sem exames e identificação oficial. Com isso, ao introduzir esse animal sem exames no rebanho, ele não irá apresentar o sinal de imediato. Mylena explica que o sinal aparece com o tempo, manifestando em um aborto e repetição de cio.
“Dificilmente as pessoas trazerem a doença, é mais através da aquisição de animais doentes, normalmente a gente não vê a doença. Quando o animal aborta, as demais vacas vão ir cheirar e passam para as outras”, relata Mylena.
Quando há no rebanho uma vaca positivada, é necessário esperar o período de 30 dias para fazer novamente o teste do Antígeno Acidificado Tamponado (AAT). Segundo a médica veterinária, o teste é feito em fêmeas a partir de oito meses e em machos não castrados [um macho castrado não precisa fazer o exame, porque a maior forma de transmissão é reprodutiva]. O teste é repetido até que não haja mais nenhum animal positivo na propriedade.
Outra orientação é vacinar as vacas a partir dos três meses com a vacina RB-51, medida que auxilia a evitar a entrada da doença na propriedade.
Como maneira de incentivo, para que os produtores busquem estar com a vacinação e exames de seus animais em dia, a Cidasc de São José do Cedro emite certificados, quando os proprietários realizam dois exames no intervalo de seis a 12 meses. Esses certificados aumentam o valor agregado do animal e do litro do leite.