O Brasil é feito de pessoas que trabalham, lutam e acreditam. Por trás das fachadas simples das borracharias, dos pequenos mercados e das oficinas mecânicas de bairro, existe uma força silenciosa que move a economia e inspira comunidades. São os pequenos empreendedores, indivíduos que, com coragem, enfrentam adversidades e constroem histórias dignas de admiração. Eu poderia citar vários exemplos aqui de Palma Sola ou dos municípios vizinhos, me permito citar dois, que coincidentemente atuam no mesmo setor: André Pagnoncelli e Igor Rebelatto. André, há 10 anos, largou os negócios como dono de uma borracharia, para se tornar dono de um mercado. Igor subiu os degraus da sucessão familiar, passou a comandar o mercado construído pelos pais, ampliou os negócios e abriu em paralelo uma revenda de bebidas.
Ambos foram bem sucedidos nos respectivos empreendimentos; conquistaram novos clientes, ampliaram os negócios e tem a garra necessária para ampliar ainda mais.
A jornada destes protagonistas é marcada por desafios diários, por uma persistência invejável e por uma garra que não se aprende em livros, mas se forja na prática.
Os desafios do começo
Iniciar um negócio pequeno é enfrentar o desconhecido de frente. Sem grandes recursos, sem capital de giro robusto, sem contatos privilegiados, o microempreendedor costuma contar apenas com sua disposição e uma ideia simples. Abrir uma borracharia, por exemplo, é lidar com a incerteza da demanda, enfrentar a concorrência, aprender a negociar com fornecedores e, muitas vezes, administrar tudo sozinho — da contabilidade ao atendimento.
Os mercados de cidades pequenas enfrentam o desafio de competir com grandes redes, de conquistar e fidelizar clientes, de lidar com a variação de preços e com o abastecimento imprevisível. Nas oficinas mecânicas, o desafio é estar sempre atualizado diante de novas tecnologias automotivas, administrar a confiança dos clientes e resolver problemas que exigem criatividade, improviso e rapidez.
A burocracia é um obstáculo constante.
O empreendedor brasileiro precisa superar barreiras legais para abrir seu negócio, pagar impostos complexos e, muitas vezes, enfrentar falta de incentivo. Em meio a tudo isso, ainda há o desafio do preconceito: muitos olham para negócios pequenos com descrença, como se fossem apenas sobrevivência, não fonte de inovação ou potencial de crescimento.
Persistência: O combustível da superação
Se há uma palavra que define o pequeno empreendedor, é persistência. Não é raro que o primeiro mês termine no vermelho, que uma crise econômica faça o fluxo de caixa despencar, que uma queda nas vendas abale a confiança. Mas é aí que a persistência aparece: na capacidade de acordar cedo todos os dias, de abrir as portas mesmo sob chuva ou sol escaldante, de buscar alternativas e não desistir diante de obstáculos.
A persistência está no esforço de aprender com os erros, de ajustar o rumo e de se reinventar sempre que necessário. O dono da borracharia que decide ampliar o serviço e oferecer balanceamento de rodas, o mercadista que abre uma padaria junto com o mercado para atender melhor o cliente, o mecânico que se especializa em eletrônica automotiva para não perder mercado — estes são exemplos de adaptação e resistência.
Parabéns aos empreendedores da nossa região. Nesta edição temos uma matéria sobre os 10 anos do Mercado Aparecida, do amigo André, não deixe de ler.