Em lembrança ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, o Sentinela reedita uma matéria de memória publicada em julho de 2007. Fizemos questão de saudar todas as mulheres da região em nome da já falecida Catharina Seger. Quem teve o prazer de conhecê-la sabe que a homenagem é mais do que justa.
Duas das imagens que ilustram esta matéria mostram Catharina Seger em frente a veículos adquiridos em 1977, um caminhão caçamba Mercedes Bens e uma VW/Brasília. Na outra imagem Catharina está inaugurando um compressor de lubrificação no parque de máquinas da Prefeitura.
História
Catharina Seger foi à primeira professora primária do município de Palma Sola, primeira vereadora e também a primeira prefeita mulher de Palma Sola, um fato incomum para Santa Catarina em 1976. Catharina candidatou-se à prefeitura pela antiga Arena, tinha como vice o irmão Claudino Crestani. Catharina e Claudino venceram a disputa eleitoral contra o partido da UDN que tinha como candidato Euzébio Pies.
Catharina foi casada com Ernesto Seger e com ele teve sete filhos: Maria Julita, Pedro Arnildo, Maria Noeli, Antonio Darci, Paulo Vilson, Sérgio Luiz, e Gilberto. Antes da vida pública gerenciava a firma Ernesto Seger e Cia Ltda. Até hoje as pessoas mais velhas da cidade lembram com carinho da falecida Catharina, principalmente agricultores e pessoas mais carentes.
Numa quarta-feira, dia 27 de junho de 1979, Catharina faleceu num trágico acidente de automóvel na BR-470. No entardecer do dia 27 Catharina, Sílvio Neugebauer e Ademar Hames voltavam de Florianópolis-SC e nas proximidades de Curitibanos-SC um caminhão, que vinha no sentido contrário, invadiu a contramão e chocou-se frontalmente com a Brasília conduzida por Sílvio. Catharina foi levada ao hospital de Curitibanos, mas não resistiu e faleceu aos 57 anos.
A morte da então prefeita foi sentida por toda a região. Agricultores afirmam que Catharina foi a vanguarda das mulheres da região. Jornais da época como O Estado ressaltam a liderança de Catharina e o fato de candidatar-se a prefeitura do município. Conforme os jornais Catharina se denominava como uma péssima dona de casa, mas uma ótima administradora. Após 25 anos como professora primária as principais bandeiras políticas eram a educação com a construção de escolas e a eletrificação rural. Em entrevista ao jornal O Estado em 1976 Catharina declarou: ‘as mulheres necessitam se libertar um pouquinho, devem considerar e respeitar os homens, mas não podem servir somente o fogão e as panelas’.
De fato Dona Catharina não servia apenas o fogão e as panelas, mas servia, primordialmente, o povo. Construiu pontes e escolas, abriu estradas, levou energia elétrica ao interior do município na época com apenas 15 a nos de emancipação política.
A lembrança é de uma mulher forte, humilde, solidária e trabalhadora. Catharina morreu, mas o seu legado continua vivo na memória dos palmassolenses.