24/07/2020 às 08h16min - Atualizada em 24/07/2020 às 08h16min

Meu pai pegou coronavírus

Coluna de opinião do jornal impresso

Na última segunda, dia 20 de julho de 2020, saiu o resultado do exame de Covid-19 do meu pai. Deu positivo. Para toda a família foi uma surpresa, ele e todos que tiveram contato com ele nos últimos dias estão assintomáticos.
Meu pai tem câncer – mieloma múltiplo – até o momento um tipo incurável. Semana retrasada fui leva-lo à Florianópolis para uma consulta com a junta médica que faria o tão aguardado transplante de medula, que promete dar uma sobrevida de vários anos em pessoas como o meu pai. O seu Alderi Vissotto está com 67 anos, foi diagnosticado com mieloma há 5 e hoje está muito mais forte do que à época do diagnóstico.
Foi em razão do transplante de medula que a junta médica exigiu o teste molecular (PCR) para que ele pudesse internar, ficaria entre 30 a 40 dias no hospital Governador Nereu Ramos, na capital. O exame foi coletado no Ceonc de Chapecó terça passada, dia 14 de julho. Coletado lá porque em teoria o resultado sairia mais rápido.
Lamento que só saiu na manhã do dia 20, meu pai já tinha viajado novamente à Florianópolis, desta vez acompanhado por uma das minhas irmãs e o motorista da Saúde aqui de Palma Sola. Se o resultado tivesse vindo antes não haveria o óbvio desgaste de uma viagem de 1.400 quilômetros e a necessidade de isolar um profissional que trabalha na saúde do município.
 
A gente acha que sabe tudo
Até semana passada eu estava cansado de noticiar reportagens sobre o Coronavírus: Aumento de casos na região, medidas de segurança, o que fazer se estiver com suspeita, e por aí vai.
Mas é só ter o vírus ou ter um caso muito próximo a nós que aparecem mais dúvidas. Fiquei sabendo do meu pai por volta das 8h30 da manhã de segunda, já estava no jornal, trabalhando. Como falei, todos assintomáticos, meu pai, eu, minha mãe, irmã e a minha família toda.
A primeira coisa que fiz foi falar com meus 5 colaboradores. Perguntei se alguém tinha apresentado sintomas: ninguém. Orientei que todos ficassem mais afastados de mim e redobrassem os cuidados com máscara e álcool gel.
Nas possibilidades de uma pandemia, a nossa última semana foi normal. Ou seja, tivemos contato com algumas pessoas, eu trabalhei normalmente de segunda a sábado.
Lá pelas 9h30 da manhã de segunda-feira fui até o posto de saúde de Palma Sola, falei com a médica Carolina Vencato e a enfermeira Andressa Gritti. Parabéns a clareza e profissionalismo delas. Meu medo era estar transmitindo a doença a outras pessoas e ter que parar de trabalhar, ou pior ainda, fechar o jornal.
Como não apresentei nenhum sintoma, a médica Carol me pediu para assinar um Termo de Compromisso de isolamento até sexta-feira, dia 24. Neste termo me comprometo em ficar ou na minha residência, ou no meu trabalho e evitar ao máximo o contato social. Estou isolado na minha sala de trabalho. Até aí tudo certo. Há os protocolos médicos e também há o bom senso. Para fechar a edição do Sentinela desta semana, trabalhei na segunda-feira e na manhã de terça, mas por bom senso vou evitar vir ao jornal e tentar passar o resto da semana em casa.
Já vi empresário julgando comerciante que teve alguém próximo contaminado com coronavírus. Gente que fala: ‘Tem que fechar, mandar todo mundo pra casa!’. Quero ver a hora que chegar a vez deste cara que julgou! E vai chegar, é estatística.
 
A ignorância é o maior preconceito
Semana passada uma das pautas que procurei executar era sobre o preconceito sofrido por pessoas infectadas com o coronavírus. Entrevistei o senhor Nelson Tressoldi, servidor público em Campo Erê, que foi contaminado, se recuperou e voltou ao trabalho.
A minha opinião é que todos devemos ser o mais transparentes possíveis em relação ao coronavírus. Se você sabe que alguém está com Covid-19 não tenha preconceito, mas siga as orientações da saúde. Se você está com coronavírus não coloque outras pessoas em risco. Está com suspeita, tenha bom senso.
Na conversa com a médica Carolina, perguntei: O que faço lá no jornal? Tenho que fechar, mando todos para casa?
Ela me respondeu: Não. Aqui no próprio posto de saúde tivemos um caso positivo, foram tomadas as medidas de segurança, e o trabalho continuou.
Pois é, aqui no Sentinela os trabalhos também continuam, agora, com ainda mais rigor no uso de máscara e álcool gel.
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