12/12/2020 às 10h18min - Atualizada em 14/12/2020 às 10h18min

Ensino on-line

Coluna de opinião do jornal impresso

Da redação
Com as universidades fechadas, alunos foram obrigados a estudar a distância e descobriram aí uma modalidade da qual não querem mais abrir mão. O ensino on-line virou uma das palavras-chave deste 2020. Primeiro teve conotação negativa, quase sinônimo de caos, já que os alunos precisavam engatar a jato nas aulas a distância sem nenhum preparo para encarar tamanha sacudida. Quem mais sentiu o baque foram os menores, que estão aprendendo aos poucos a se virar e a ganhar independência.
Já os universitários fizeram a passagem para o estudo remoto com maior suavidade, como era mesmo esperado: a maturidade é componente essencial para manter disciplina e foco e conseguir lidar sozinho com aqueles momentos de aspereza acadêmica. A boa experiencia está agora levando uma parte da turma a dar caráter permanente a algo que se supunha provisório, em trilha semelhante à que percorrem jovens de outros países. Muita gente testou, gostou e está resolvendo ficar na modalidade conhecida oficialmente pela sigla EAD – a do ensino universitário a distância.
A desconfiança sobre as faculdades on-line já vinha se dissipando no Brasil, onde elas estrearam há pouco mais de duas décadas e por um bom tempo foram vistas como “graduação de segunda classe”. O avanço na qualidade dos cursos, aliado à assimilação deles pelo mercado de trabalho, lhes conferiu credibilidade. E assim a demanda escalou a ponto de, há um ano, se dar um marco histórico: pela primeira vez, o número de calouros se concentrou mais na modalidade a distancia do que na presencial, cravando 2,5 milhões de jovens. No balaio universitário brasileiro, eles já representam um terço do total. Pois nesses últimos meses o fechamento dos portões universitários acabou por dar novo empurrão a essa modalidade de ensino tão em alta mundo afora, atraindo gente que, antes, nunca consideraria estudar em casa.
A presença dos mais jovens vem deixando mais heterogêneo o perfil dos frequentadores das aulas virtuais – tipicamente dos mais velhos, em busca de mensalidades mais baratas e embalados em algum emprego. O rol dos alunos de EAD já estava mais abrangente e diversificado, e isso se acentua neste momento em ritmo veloz. O reflexo desse movimento se traduz nos números captados em um recente levantamento que analisou as idas e vindas dos grupos de ensino listados na bolsa, como Cogna e Yduqs, entre julho e setembro deste ano.
O estudo, do banco Santander, concluiu que, após o declive dos primeiros tempos pandêmicos, o EAD é hoje o que os faz crescer – enquanto os ingressantes no ensino presencial recuaram até 37%, nos cursos a distância a subida chegou a 54%. A distância exige empenho extra, responsabilidade, mas a flexibilidade conquista. O acadêmico faz seu horário e é responsável pela aprendizagem.
 
Texto de Ricardo Ferraz e Thaís Gesteira
Por [email protected]
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