22/01/2021 às 14h27min - Atualizada em 22/01/2021 às 14h27min

Depois da pior seca em 30 anos, SC terá mais estiagens em 2021?

O meteorologista Marcelo Martins atesta que o verão é naturalmente muito mais chuvoso em qualquer local, mas nos próximos meses, teremos uma previsão de alta grande na precipitação

Da redação
Em 2020, os catarinenses passaram pela pior seca dos últimos 30 anos, com níveis de chuva muito baixos em praticamente todo o Estado. A situação prejudicou, além dos consumidores residenciais, setores econômicos importantes. Apesar do fim do ano ter tido mais chuvas, o indicativo é de que a seca não foi resolvida. A Grande Florianópolis, por exemplo, segue em alerta, e deve investir em obras para ampliação de captação de água.
Contudo, 2021 pode demonstrar um alento para os catarinenses, já que a previsão é otimista já para o primeiro trimestre. A chuva deve ser acima da média nos meses de janeiro e fevereiro, especialmente no Litoral. “Boa parte da chuva do trimestre está associada à convecção devido ao calor da tarde e noite, em forma de pancadas passageiras, típicas de verão”, prevê a Epagri/Ciram, que indica que a chuva mais significativa deve ser condicionada à passagem de frentes frias pelo Litoral.
O meteorologista Marcelo Martins atesta que o verão é naturalmente muito mais chuvoso em qualquer local, mas nos próximos meses, teremos uma previsão de alta grande na precipitação. “Teremos o dobro de chuva mensal do que chove no inverno, por exemplo. O que se espera é um verão chuvoso, com chuvas dentro ou acima da média”, afirma. Para o meteorologista, o fator mais importante a ser observado é a distribuição espacial, já que o indicativo é de uma chuva bem distribuída ao longo da estação. Além disso, deve haver uma constância, com uma distribuição temporal.
“Vai chover praticamente todos os dias”, diz. Depois do verão, naturalmente, ocorrem menos chuvas. Contudo, a meteorologia não trabalha com margens nessa amplitude para precisar alguma previsão. Ainda assim, o fato de o outono contar naturalmente com menos chuvas, e o inverno ainda menos, não significa que, necessariamente, o Estado enfrentará novos períodos de estiagem.
“Nessa época do ano [verão], as médias mensais de Santa Catarina são de 200mm a 300mm, enquanto no inverno, de 100mm a 120mm e olhe lá. Podemos ter chuvas acima, normal, ou abaixo dessa média, mas não temos motivos para que a La Niña baixe o volume de chuvas”, afirma Marcelo. O fenômeno causa diminuição da temperatura das águas do Oceano Pacífico Tropical Central e Oriental, que ocasiona baixa nas chuvas, mas a previsão otimista segue mesmo com a influência do fenômeno. Até o fim do ano, o poder público atuou para contornar a situação, com pacotes de medidas e obras, além dos pecuaristas que tiveram que apostar na inovação para lidar com a situação.
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