03/03/2021 às 13h41min - Atualizada em 03/03/2021 às 13h41min

Colapso na saúde

Coluna de opinião do jornal impresso

Da redação
As informações sobre os casos, infectados e mortes por Covid estão na matéria da página ao lado. Os números são alarmantes. Até o fechamento desta edição estávamos com quase 200 pessoas esperando uma vaga de UTI na rede de hospitais de Santa Catarina.
A situação é muita grave.
Sobre estes dados, sempre aparece, 3 ou 4 vagas em Chapecó, 8 leitos livres em Florianópolis... mas precisa ficar claro para as pessoas que estes leitos são flutuantes. De fato estes leitos não existem! Estes leitos estão em transição.
Neste momento Santa Catarina não tem leitos de UTI para Covid-19.
Na noite de segunda-feira o governador Carlos Moises se reuniu com representantes dos hospitais privados; a óbvia intenção é ampliar a oferta de leitos de UTI. Na terça-feira o Governo do Estado publicou um edital de cotação de diárias de leitos de UTI na rede privada de hospitais.
O secretário de Estado da Administração, Jorge Eduardo Tasca, ressaltou que o Governo já havia publicado um chamamento público para a contratação de leitos privados no ano passado, mas havia um limite para as diárias de R$ 1,6 mil, o valor praticado pelo SUS. Dessa maneira, o edital se encerrou no dia 31 de dezembro, sem interessados.
Agora, os hospitais apresentarão os valores que consideram viáveis. A expectativa do secretário da Administração é que, dessa vez, haja o envolvimento da rede privada.
Entre março de 2020 até agora, Santa Catarina aumentou em 167% o número de leitos Covid e deve abrir mais nos próximos dias. Tínhamos em torno de 550 ano passado, agora temos mais de 1.400 leitos de UTI para adultos. É um aumento considerável.
Entre outubro e novembro o cenário dava indícios de queda no contágio e alguns leitos foram fechados, dias depois foram reabertos e há mais que devem voltar atender. Nesta semana o Secretário de Saúde de Santa Catarina, André Motta Ribeiro, percorre as macrorregiões justamente para abrir novos leitos de UTI. Demorou.
Mas, supondo que o Estado consiga abrir mais 150 leitos de UTI Covid nesta semana, ainda é insuficiente. Na prática não existiriam leitos disponíveis. Afinal, em Santa Catarina, temos quase 200 pessoas na lista de espera.
Epidemiologistas acreditam que as novas variantes são as responsáveis pela progressão exponencial no número de infectados. Assim como já está provado que estas novas variantes estão levando a óbito pessoas mais novas e sem comorbidades. Os noticiários também registram aumento no número de morte de crianças.
No último final de semana, em Xanxerê, morreram seis pessoas esperando por uma vaga em leito de UTI. No Regional de São Miguel do Oeste foram outras quatro mortes por não ter vaga numa Unidade de Terapia Intensiva.
Mesmo assim não vejo porque fazer hospital de campanha, tem que colocar os leitos de UTI dentro da rede hospitalar existe. Outro problema generalizado é a falta de profissionais em todo o estado, além de insumos e os tão falados respiradores de ar.
Contudo, os números comprovam que não é só com leitos de UTI que vamos enfrentar a pandemia. Conforme dados das secretarias estaduais de Saúde, aproximadamente 40% das pessoas internadas nas UTIs acabam morrendo. Então defender que os leitos de UTI sejam o para-choque desta crise significa condenar 40% das pessoas que precisam de uma UTI. Não é plausível pensar desta forma.
No início desta semana os governadores do Paraná e Santa Catarina se reuniram com os representantes das secretarias municipais de Saúde para pactuar ações em conjunto para conter o ritmo de propagação do coronavírus. É preciso descolapsar a rede de saúde.
No final da semana passada os órgãos de controle: MP de Santa Catarina, MP Federal, MP do Trabalho, Tribunal de Contas, Defensoria Pública Estadual e Defensoria Pública da União recomendaram o lockdown por 14 dias. O governador de Santa Catarina se reunião com estes órgãos de controle e determinou uma espécie de lockdown nos finais de semana.
Logo depois da orientação de lockdown dos órgãos de controle, mais de 80 classes empresariais de Santa Catarina se posicionaram contra. Espero que o mais rápido possível o governador converse com as entidades empresariais. Saúde e economia andam juntas! Temos que parar com esta história que saúde é uma coisa e economia é outra.
O fato é que vivemos o pior momento da pandemia. É preciso frear o ritmo de propagação do coronavírus e assim despressurizar a rede de saúde.
O que está acontecendo é uma fiscalização como nunca aconteceu, temos multas sendo aplicadas em todos os lugares de Santa Catarina. Em Palma Sola várias pessoas foram multadas por não usar máscara em vias públicas; assim como comerciantes foram multados dentro dos seus estabelecimentos por não usar máscara ou exigir o uso das mesmas. Algumas pessoas vieram aqui no jornal se queixar destas multas, mas no final das contas tá certo a aplicação delas.
Epidemiologistas afirmam que as paralizações dos finais de semana são insuficientes. Já o Estado tem convicção que as maiores irregularidades acontecem nos finais de semana com as aglomerações em praias, áreas de lazer e em festas clandestinas.
Fato também são as aparições públicas dos profissionais de saúde: médicos, enfermeiras, técnicos em enfermagem, secretários de saúde. Profissionais desesperados, tendo que escolher quem morre e quem vive; não conseguindo socorrer todos que chegam. No WhatsApp, a cada pouco, chega um vídeo de médico, enfermeira, até mesmo vídeos feitos dentro das UTIs dos hospitais regionais.
 
Economia e Saúde de mãos dadas
Pra mim está na hora do Estado conversar sobre esta questão econômica com a sociedade. Epidemiologistas e cientistas de dados afirmam que lockdown de final de semana não é suficiente para conter o coronavírus. Com este exponencial aumento de casos de Covid-19 o Estado será obrigado a tomar medias muito mais duras.
Lembro que em 2020 o estado de Santa Catarina fechou o ano com superávit de R$ 1,86 bilhão, e propagandeou isto. Este mesmo Estado precisa olhar para a sua comunidade e encontrar formas de ajudar economicamente. É este o ponto!
Ninguém aqui é hipócrita de pensar que as pessoas não vão passar necessidades se tiverem de ficar 14 dias sem trabalhar. Conheço pessoas que apresentaram sintomas, mas não procuraram o posto de saúde, justamente para não serem isoladas e não correr o risco de fechar as portas dos seus negócios por alguns dias.
Não é possível ignorar esta questão. Saúde e economia andam juntas, lado a lado. Caso o cenário não mude a tendência é termos medidas ainda mais duras.

Por Igor Vissotto
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