29/10/2021 às 16h27min - Atualizada em 29/10/2021 às 16h27min

Antes de apontar o dedo, olhe para si

Coluna de opinião do jornal impresso

Eu sei que gostamos de ter uma visão positiva sobre nós, nossas atitudes, comportamentos e falas. O comum é pensarmos que estamos certos, que fazemos as melhores escolhas, que somos qualificados para decidir da melhor forma. Quantas vezes você não olhou para alguém e pensou que poderia fazer o que aquela pessoa está fazendo melhor do que ela?
Quantas vezes você não apontou o dedo para outro e tinha plena certeza de que ele estava errado, e você sim sabia o que era o certo a se fazer? Quantas vezes você não apontou os problemas do mundo, das pessoas e das coisas, sem antes olhar de verdade para você mesmo?
Esse é um dos pontos mais intrigantes da terapia. Você começa achando que encontrará no psicólogo alguém que te compreenderá, que te apoiará, que passará a mão na sua cabeça. Você começa a terapia crente de que, por estar pagando, essa pessoa ajudará você a resolver os problemas da sua vida que outras pessoas causaram.
Então imagine o tamanho do seu espanto quando você começa a terapia, e passa a perceber que muitas vezes o culpado é você. Percebe que em muitas situações, quem causou o problema foi você. O psicólogo te ajuda a perceber que você não é um “alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado”; você percebe que comete erros, que tem falhas de julgamento, que em muitos casos a pessoa difícil pode ser você.
Se o psicólogo só passar a mão na sua cabeça, concordar com você e jamais falar algo que vá contra aquilo que você acredita piamente ser a verdade, ele não está te ajudando, está só querendo manter você lá para ganhar seu dinheiro.
A terapia é um ambiente de calor e acolhimento, porque precisa ser um lugar onde você se sinta confortável e seguro para lidar com seu pior lado.
A questão de achar que você está sempre certo é uma erva daninha, que te mata por dentro, porque você passa a acreditar que é melhor que o mundo. Você julga a decisão do político, mas jamais se candidatou a coisa alguma. Você julga o comportamento da mãe, mas não tem filhos. Você berra com a decisão do juiz no campeonato de futebol, mas se ele te entregasse o apito, ficaria perdido. Você aponta o dedo para o policial, o professor, o chefe, mas jamais trabalharia fazendo o que eles fazem. Então, antes de sentenciar todos os outros, e chamá-los de idiotas, olhe mais para você, analisa tua vida, e veja o que precisa melhorar. Se você focar em si, não perderá tempo com os outros, e só então crescerá.
 
Por: Francieli Perondi
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