Reflexão

Coluna de opinião do jornal impresso

Igor Vissotto
05/04/2025 10h00 - Atualizado há 19 horas

Esta semana me deparei com um texto que me fez refletir e escrever sobre ele. Segue o texto:

Se você não tivesse onde morar hoje, quem te acolheria?

Se você se perdesse em algum lugar na madrugada, quem iria te buscar?

Se você ficasse doente, quem iria te visitar no hospital?

Se precisasse de alguém para desabafar, quem te daria apoio?

E se não tivesse o que comer, quem dividiria o pão contigo?

 

Amizades não se definem pelo número de redes sociais ou pelas baladas, mas por quem vai estar ao seu lado quando você mais precisar. Não ande com pessoas que só estão presentes nos momentos bons, mas com aquelas que estarão com você no bom e no ruim. Às vezes, menos é mais.

 

Com base neste texto, concluo o seguinte:

Amizades verdadeiras, o elixir para uma vida longa e plena

A vida moderna, com sua obsessão por conexões digitais e métricas de popularidade, nos fez confundir ‘quantidade’ com ‘qualidade’. As perguntas propostas no texto — quem te acolheria, quem te buscaria na madrugada, quem dividiria o pão — não são apenas exercícios de reflexão, mas um convite a redefinir o que realmente sustenta a existência humana. No cerne dessas interrogações está uma verdade ancestral: “as amizades autênticas são um dos pilares invisíveis da longevidade e da qualidade de vida”.

 

Amizade como antídoto para a solidão existencial 

Filósofos como Aristóteles já afirmavam que o homem é um "animal social", mas não por mero instinto. A necessidade de pertencimento e apoio mútuo é o que nos afasta do abismo da solidão, um estado que, segundo estudos da Organização Mundial da Saúde, é tão mortal quanto o tabagismo. Quando alguém se pergunta "quem me visitaria no hospital?", está, inconscientemente, medindo sua rede de segurança emocional. E essa rede não é feita de algoritmos ou curtidas, mas de presença, escuta e ações concretas.

 

Menos é mais: A ciência das relações essenciais 

Pesquisas em psicologia social revelam que ter de 3 a 5 amigos íntimos está diretamente ligado a níveis mais baixos de estresse, maior resiliência emocional e até à redução de riscos de doenças cardiovasculares. A explicação é simples: relações profundas ativam a produção de ocitocina (o "hormônio do afeto") e reduzem o cortisol (o "hormônio do estresse"). Não se trata de ter uma multidão ao redor, mas de cultivar laços que funcionem como âncoras em tempestades existenciais.

 

Amizades tóxicas X Amizades que curam 

Andar com quem só compartilha risos em baladas ou posts engraçados é como construir uma casa na areia: desmorona ao primeiro sinal de crise. O texto alerta para esse perigo, lembrando que o "bom e o ruim" são testes de autenticidade. Relações superficiais consomem energia; relações verdadeiras a renovam. Um estudo da Universidade Harvard, que acompanhou indivíduos por 80 anos, concluiu que a satisfação com as amizades prevê saúde física e mental na velhice mais do que riqueza ou fama. 

 

Filosofia prática: Como reconhecer e cultivar amizades que valem a vida.

1. Priorize a reciprocidade: Uma amizade que fortalece a vida não é unilateral. Quem te ouve também deve ser ouvido. 

2. Valorize o silêncio compartilhado: Não é necessário falar sempre; a companhia tranquila já é um sinal de confiança.

3. Observe as crises: Como diz o provérbio africano, "Se quer saber quem é seu amigo, deixe o rio transbordar". 

 

Conclusão: A amizade como ato de resistência 

Em um mundo que glorifica a independência e a autossuficiência, escolher investir em amizades profundas é um ato revolucionário. São essas relações que nos lembram que, no fim, sobrevivemos não pelo que temos, mas por quem nos tem. E talvez seja essa a fórmula mais antiga (e esquecida) para uma vida longa: amar e ser amado, não no sentido romântico, mas no sentido humano, visceral e diário.

 

Afinal, quem dividirá o pão conosco no deserto não é um detalhe — é a diferença entre sobreviver e viver.

 

 

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