22/04/2020 às 11h18min - Atualizada em 22/04/2020 às 11h18min

Pandemia econômica

Coluna de opinião do jornal impresso

Nesta semana quero compartilhar o lamentável editorial da revista Istoé Dinheiro, intitulado Pandemia Econômica e assinado pelo diretor editorial: Carlos José Marques:
 
Não são poucos os alertas sobre a “pandemia econômica” que se vislumbra no horizonte próximo. Ao contrário, eles estão chegando por todos os lados. Das empresas que temem a insolvência. Dos trabalhadores que enxergam a escalada do desemprego. Dos investidores que amargam prejuízos históricos. Dos bancos que precisam fazer a arbitragem de crédito.
Mas, na semana passada, o Banco Central brasileiro tratou de lançar o cenário mais sombrio, jamais esperado até aqui. Em reunião com o Tribunal de Contas da União (TCU), o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, não apenas falou em um quadro “altamente recessivo”, como deu um número capaz de surpreender até os mais pessimistas. Compartilhando uma previsão de queda elaborada pela “The Economist Intelligence Unit”, disse que o PIB pode ficar em 2020 no patamar de 5,5% negativo.
Isso mesmo. A pior marca jamais registrada na história do País. Na prática, caso confirmado, o índice deverá comprometer qualquer capacidade de reação no médio prazo, condenando a economia a anos de paralisia e estagnação. É um coquetel demolidor diante da perspectiva que se tinha, inicialmente, de crescimento na casa de 2,5% em 2020 e de 3,5% no ano seguinte. Esqueça essa perspectiva.
As estimativas já foram acentuadamente revistas para baixo. O próprio governo prevê que a receita líquida da União deverá cair mais de R$ 150 bilhões até o final do ano. É um valor equivalente ao dobro do inicialmente previsto e inclui também queda expressiva na arrecadação com royalties de petróleo, nas concessões de serviços públicos e na venda de ativos e dividendos de empresas estatais.
O calendário de concessões já foi irremediavelmente adiado. Além da suspensão de audiências públicas, com a justificativa de evitar aglomerações, foram feitos cancelamentos de leilões nas áreas de energia e de portos. Nos estados e municípios, já se verifica, neste início de ano, o mais baixo valor de investimento desde 1947. Empresas, de uma maneira geral sufocadas, estão pedindo revisões de contrato, por motivos de “força maior”. A crise fez disparar o índice de incerteza, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, que alcançou inéditos 167,1 pontos. O recorde anterior era de 136,8 pontos, de 2015, às vésperas do impeachment de Dilma Rousseff.
O que vem de resposta contra esse tsunami depende da condução da equipe econômica de Paulo Guedes. O ministro, há poucos dias, sugeriu comprar títulos e carteiras de maneira direta das empresas, como forma de evitar o chamado “empoçamento” de crédito em dinheiro nas instituições financeiras. O mercado como um todo reclama que existem muitas propostas, boas intenções e pouco resultado prático nas ações oficiais. O que todos querem e precisam são soluções emergenciais urgentes e efetivas, que tardam a chegar.
 
Desemprego é fato
Nos últimos 5 anos o desemprego no país não desce da casa dos 11%, atualmente está em 11,6% e atinge 12,3 milhões de pessoas. Com a pandemia do coronavírus existem 5 milhões de empregos em risco na cadeia do varejo amplo, segmento que pega de restaurantes, vendinhas e lojas de bairro, até varejistas maiores. Todos em risco imediato. Formais, informais. Pior: para cada empregos no varejo amplo pode-se considerar até outros cinco em toda a ponta da cadeira produtiva. Economistas da XP investimentos apontam que a taxa de desemprego pode chegar a 20% até o final deste ano.

Igor Vissotto 
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