12/02/2021 às 08h20min - Atualizada em 12/02/2021 às 08h20min

Sabedoria para ser feliz

Coluna de opinião do jornal impresso

Da redação
“Este livro é um medicamento”, escreve o norte americano Clay Newman, na introdução de seu recém-publicado Mais Sêneca, Menos Prozac. Na obra, o autor compartilha com o leitor um delicado momento da vida, quando teve depressão, e caiu em seu colo, por um acaso, o livro Tratados Morales, do filósofo, escritor, político e orador romano Lúcio Aneu Sêneca.
A partir de uma narrativa bem-humorada, em que cada capítulo funciona como uma bula medicamentosa, contendo itens como o mal em questão, considerações médicas, composição, tratamento e efeito terapêuticos, Newman apresenta conceitos da filosofia estoica, um movimento filosófico que defende valores como a humildade, o autoconhecimento, a aceitação, a compaixão e a confiança. E cujo representante máximo foi Sêneca.
“Esse filósofo foi, antes de mais nada, um médico da alma”, escreve Newman. “Ele tinha ciência do enorme potencial que cada ser humano pode desenvolver dentro de si mesmo, estreitamente relacionado à sua capacidade de crescer espiritualmente. Sua espiritualidade era curar uma doença espiritual muito comum em sua época, denominada ‘sofrimento’. (...) E dado que não pode fazer uso de nenhum antidepressivo artificial, se dedicou com paixão a encontrar um remédio natural.  O Prozac de Sêneca sempre foi a sabedoria”, diz.
No capítulo oito, indicado para os que se fazem de vítima e temem assumir as rédeas da própria vida, Newman, inspirado pela sabedoria estoica, recomenda: “viaje um pouco até sua infância. Quando você ainda era uma criança inocente, um dia trombou com uma mesa e caiu no chão. E, devido à dor provocada pela pancada, começou a chorar. Seu pranto chamou a atenção de sua mãe, que correu para lhe atender, sentindo-se muito mal por vê-lo sofrer. E para parar de se sentir assim, ela decidiu dar-lhe uma droga que o aliviasse: a culpa. Embora a mesa seja um objeto inerte, carente de vontade e livre arbítrio, de repente sua mãe começou a gritar: ‘mesa malvada! mesa malvada!’ Curiosamente, as acusações dela o deixaram mais tranquilo. E logo você começou a imitá-la, culpando a mesa pela pancada e por sua dor. Sem perceber, permitiu que ela o transformasse em vítima. Mas não a culpe. Nem culpe a si mesmo. Nem sua mãe nem você sabiam fazer melhor”.
A indicação terapêutica para o problema é tomar as rédeas da sua vida. Só então abandonará para sempre qualquer atitude vitimista. Será quando crescerá. Cultivar a responsabilidade traz maior habilidade para responder de forma construtiva e eficiente aos diferentes estímulos que você recebe a cada dia; aumenta a motivação para tomar suas próprias decisões; e reduz infinitamente interesse em se queixar, reclamar ou se indignar com a maneira como a sociedade se organiza atualmente. Em vez disso, transborda uma força espiritual que leva à mudança. Uma das pílulas de cura do mais brilhante orador do Senado romano diz: “poucos de nós acertam antes de errar. Sem erros a aprendizagem não é possível”.
 
Texto de Kátia Stringueto
Por [email protected]
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