26/02/2021 às 17h38min - Atualizada em 26/02/2021 às 17h38min

As transformações

Coluna de opinião do jornal impresso

Da redação
No meu tempo de criança, ah! Nesse tempo éramos crianças ricas. Ricas de natureza! Tudo em nossas mãos virava brinquedo precioso. Tínhamos muita liberdade e não víamos perigos ou limites. Balançávamo-nos em cipós pendurados nas árvores, quanto mais alto, melhor. Pulávamos tábua, corda, brincadeiras de roda, de esconder, de pegar, de escolinha, de casinha, andávamos com os carrinhos feitos por nossos pais, com tábua, rodas e freio. Com eles a piazada descia morro a baixo e depois empurravam outra vez lá pra cima, pra poder descer dirigindo.
Oh! Aventuras que deixaram marcas. Bem como passar a tarde resvalando com papelão e outras tantas brincadeiras que nos tiravam de dentro de casa. Passava a tarde tão rapidamente, que quando a noite chegava adormecíamos cansados, felizes e realizados. E as brincadeiras também nos ajudava a crescer e amadurecer.
E quando nos tornamos pais, muitas coisas já haviam mudado. Porém, nossos filhos ainda tiveram o privilégio das brincadeiras, dos amiguinhos em casa para passar o dia brincando. Participaram expressivamente das danças típicas, do futebol, voleibol, do CTG, do balé, das lambadas, das tardes de carnaval infantil no Clube Atlético Floresta onde os pais se acomodavam nas mesas para acompanhar os filhos na diversão. E lá, aquelas crianças fantasiadas, maquiadas, brincavam toda a tarde, numa explosão de alegria.
E mais tarde, as festas juninas com fogueira, quadrilha, casamento caipira, e delícias da cozinha. E muitos festivais de dança, de canto, de poesia... e tinha o coral infantil, apresentações magnificas nas Horas Culturais entre outros. E o tempo foi passando e transformando... e então chegou o telefone celular, porque até então, só existia o telefone fixo. E as tecnologias também vieram. Chegou o computador. Inicialmente, só alguns. Depois tornou-se comum. A internet, o Face, os jogos. Muitos amigos virtuais, poucos presenciais e a solidão! Hoje percebemos que as crianças e adolescentes, (sobrinhos e netos) estão mais isolados e super conectados. Quase não se vê mais crianças por aí, brincando na rua, jogando bola...
Tudo o que foi riqueza para nós na infância, deixou de ser importante. Os brinquedos industrializados, coloridos, eletrônicos não precisam mais ser construídos. Nem com as bonecas de milho verde, ou feitas de pano se brinca mais. E a maneira de brincar de nossas crianças nos dias de hoje, nos remetem a saudades do tempo que passou. Tudo muda rapidamente e precisamos nos adaptar. Mas eles, certamente vão tornar-se adultos, sem ter vivido a experiência das brincadeiras e convívio que nós tivemos e que nos proporcionava tanta felicidade e criatividade.
 
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