06/09/2021 às 08h35min - Atualizada em 06/09/2021 às 08h35min

Tenha responsabilidade

Coluna de opinião do jornal impresso

Neste mês, vivenciamos a campanha do Setembro Amarelo, que é dedicado à desmistificar, conversar sobre, levantar informações a respeito de um tema extremamente delicado: o suicídio.
Eu percebo, especialmente na internet (Instagram que é a rede que eu mais uso), entre os adolescentes e jovens adultos (público entre 15 e 25 anos) um apelo cada vez maior à psicologia, ao cuidado com a saúde mental, ao debate sobre transtornos como depressão, ansiedade, e no combo vem a conversa sobre suicídio, automutilação e afins.
Antigamente a imensa maioria das pessoas tinha vergonha de falar sobre cuidado com saúde mental, sobre terapia e uso de medicação psiquiátrica. Era um imenso tabu. Com o público citado acima, vejo de forma benéfica que isso é tratado com mais naturalidade. Penso que todas as campanhas realizadas sobre saúde mental, o acesso à informação e o maior nível de demanda (ou seja, é mais comum esse tipo de tratamento hoje em dia), estejam diretamente ligados a esse avanço.
Porém vejo também, que há uma tendência a pender para uma glamurização da coisa toda. Falar que faz terapia, usa medicação e afins deixou de ser tabu e virou algo banal. Muita gente, mas muita mesmo, sai por aí repetindo jargões da psicologia, sem entender de verdade do assunto, ou mesmo sem passar por um tratamento real. Alguns, leem dois ou três textos perdidos por aí, compartilham alguns memes de saúde mental, e agora no Setembro Amarelo saem disponibilizando seu direct, seu contato do whats, ou o Messenger no Faceboook “para qualquer um que precise de ajuda e queira desabafar”.
Eu entendo que a intenção pode ser boa, de se disponibilizar a conversar com alguém que está em depressão, pensando em suicídio, como forma de boa vontade querendo ajudar. O ponto é que essas pessoas na imensa maioria das vezes não sabem como ajudar de verdade. Se você abre seu contato para qualquer um que precise de ajuda, e alguém chega dizendo que quer se matar, você sabe o que fazer para ajudar? sabe como lidar com a situação, como orientar essa pessoa?
O suicídio é um tema extremamente delicado até mesmo para nós, profissionais da saúde mental. Acho uma irresponsabilidade descomunal se dispor a conversar sem saber como ajudar. A probabilidade de você falar algo que piore o sofrimento da pessoa é imensa. E se ela vier a fazer mal contra si, o que você falou pode até mesmo ser usado contra você caso se considere que você tenha induzido a pessoa a cometer tal ato. Isso é crime.
Portanto, por mais que você tenha boa vontade e queira ajudar, lembre-se que em alguns casos muito ajuda quem não atrapalha. Se você, seu amigo, parente, conhecido está passando por um problema semelhante, oriente a procurar um psicólogo e ou psiquiatra, para que a pessoa receba orientações e ajuda necessária.
Na semana que vem, escreverei sobre como ajudar alguém que está passando por um episódio depressivo grave, com ideação suicida e afins.
 
Por: Francieli Perondi


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