12/04/2022 às 16h25min - Atualizada em 12/04/2022 às 16h25min

A religião e o que se espera de nós

Coluna de opinião do jornal impresso

Eu vejo que a religião já não tem mais o mesmo papel que tinha antigamente na vida das famílias, das pessoas em si. Para muitos é algo que se faz pelo senso de obrigação, e não por necessariamente entender o que aquilo significa, ou deveria significar. Tanto que, a expressão “católico não praticante” é cada vez mais comum. E eu me pergunto: dá para ser atleta não praticante? ou então vegetariano não praticante? e porque as pessoas consideram que dá para ser católico “não praticante”?
Penso que talvez, para alguns que se denominam assim, se dizer católico é somente para se sentir incluído em um grupo, mas sem qualquer obrigação de realmente fazer algo, de realmente compreender a própria religião, de realmente saber o que significa aquilo.
Compreendam, não estou dizendo que se você não for católico não poderá acreditar, ter fé, rezar para Deus, Jesus ou para a entidade que você acredita. Só estou dizendo que precisamos ser, cada vez mais, coerentes com aquilo que falamos e com aquilo que fazemos. Ou você é católico, ou não é. As opções são essas. Não é um self service onde você só pega o que te serve e ignora totalmente o restante. O mesmo serve para todas as outras religiões. O que eu vejo é uma incongruência grande, pessoas perdidas, buscando se agarrar em qualquer coisa que prometa redenção, salvação, prosperidade, sem se aprofundar em nada disso.
Você não deveria ter uma religião pensando “no que vai ganhar com isso”, “no que essa religião me oferece”. Você precisa entender que uma vida religiosa está mais ligada à sua doação, a sua devoção, ao seu sacrifício. Você decide acreditar, você começa a praticar os mandamentos e preceitos da religião que escolheu. Especialmente quando falamos sobre a igreja Católica, não é uma moeda de troca! “Eu começo a frequentar a igreja e então minha vida mudará por completo”, não é esse tipo de pensamento que deveria guiar você e sim: “Eu começo a frequentar, crer, praticar os mandamentos da igreja, e então servirei aos outros, serei útil na minha família e na minha comunidade, buscarei minha redenção sendo bom, justo, forte, protegendo e amando os meus”.
E acima de tudo, se você crê em Jesus, conheça e pratique aquilo que ele ensinou. Controle sua língua e seus julgamentos. Amanse seu coração na hora de olhar para a pessoa que está ao seu lado. Tenha vergonha de agir contra aquilo que ele ensinou, se arrependa verdadeiramente pelo mal que você já causou aos outros. O dizer é “Ame o próximo como a si mesmo”, não tem nenhum “mas”, nenhum, “porém”, nada após a frase. Então não é “ame ao próximo desde que ele pense igual a você”, não é “ame ao próximo, mas só se ele não votar no candidato A ou B”.
Abra sua mente, seu coração, olhe para dentro de si mesmo, e você verá que há muito para consertar em si antes de apontar o dedo para o outro.
PS: escrevi me referindo mais à Igreja Católica porque é a religião na qual fui criada, e, portanto, conheço melhor.


Por: Francieli Perondi 
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